Uma manobra para desengasgar uma criança, o jeito certo de estancar um sangramento, o que fazer diante de uma convulsão: foram esses os conteúdos que cerca de 180 professores e monitores da Rede Municipal de Ensino de Chapadão do Sul levaram para dentro da sala de aula nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, ao final de um treinamento teórico e prático em primeiros socorros realizado no espaço do SESI/SENAI da cidade.
A lógica por trás da iniciativa é simples e dura: em uma emergência real, o tempo até a chegada de uma ambulância pode ser o intervalo que separa um susto de uma tragédia. E quem está mais perto de uma criança na maior parte do dia, fora de casa, é justamente quem trabalha na escola — professor, monitor, inspetor. Foi para preencher essa lacuna que a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) uniu forças com a Cruz Vermelha Brasileira e o SESI/SENAI.
A capacitação foi conduzida pelas enfermeiras Rosana Schultz e Iasmine Mota, da Cruz Vermelha Brasileira, e não ficou só na teoria. Os participantes exercitaram a manobra de Heimlich, usada em casos de engasgo e obstrução das vias aéreas, além de técnicas de contenção de hemorragia, imobilização de membros e condutas para situações de crise convulsiva — cenários que, embora raros, podem acontecer em qualquer sala de aula ou pátio de recreio.
A escolha por simular situações reais, e não apenas explicar procedimentos em slides, tem um motivo prático: em momentos de emergência, o profissional treinado tende a agir por reflexo, sem perder tempo pensando no passo a passo. É esse segundo a menos que pode importar quando a criança está sem ar.
O treinamento em Chapadão do Sul não nasceu de uma iniciativa isolada da prefeitura: ele cumpre a Lei Federal nº 13.722/2018, a chamada Lei Lucas, que obriga escolas públicas e privadas de educação básica e espaços de recreação infantil a capacitar professores e funcionários em noções básicas de primeiros socorros. A norma existe há oito anos, mas sua aplicação depende da adesão de cada rede de ensino — e é isso que o município fez ao reunir de uma só vez cerca de 180 profissionais em um único dia de formação.
Com a capacitação concluída, a expectativa da SEMEC é que a rede municipal de Chapadão do Sul tenha agora um número maior de adultos preparados para agir nos primeiros minutos de uma ocorrência, reduzindo a distância entre o susto inicial e o atendimento especializado que chega depois.
Fontes: SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE CHAPADÃO DO SUL; CRUZ VERMELHA BRASILEIRA; O CORREIO NEWS