Um ônibus movido a gás natural começou novos testes em Campo Grande, com duração de 30 dias, para avaliar sua viabilidade no transporte coletivo. A parceria entre a Prefeitura, Governo do Estado e outras entidades busca alternativas sustentáveis e mais econômicas. Técnicos acompanharão seu desempenho, incluindo consumo de combustível e opinião dos passageiros. Apesar de um custo superior a ônibus a diesel, a adoção dessa tecnologia é possível devido à infraestrutura de gasodutos da cidade. O resultado dos testes determinará se o modelo será incorporado à frota regular.
Um ônibus movido a gás natural voltou a circular pelas ruas de Campo Grande nesta quinta-feira (17) para uma nova fase de testes. O veículo, que integra o transporte coletivo, será avaliado por 30 dias para verificar a viabilidade de inclusão definitiva na frota regular da Capital.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Campo Grande, Governo do Estado, MSGás e Consórcio Guaicurus, com o objetivo de buscar alternativas mais econômicas e sustentáveis para o transporte público.
Durante o período de testes, o ônibus rodará em linhas reais e terá seu desempenho acompanhado por técnicos, que irão analisar consumo de combustível, emissão de poluentes, conforto dos passageiros e a opinião de quem utiliza o serviço.
“Esses testes são importantes para a gente oferecer um transporte melhor para a população. A prefeita Adriane Lopes nos pediu para olhar primeiro para o que é bom para o usuário, e é isso que estamos fazendo”, afirmou Andrea Figueiredo, diretora-adjunta da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).
Apesar de custar cerca de R$400 mil a mais que um modelo tradicional a diesel, o presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, acredita que a compra pode ser viável. “Campo Grande tem um diferencial, que é o gasoduto já instalado. A MSGás consegue fornecer o gás necessário, o que pode facilitar a adoção dessa tecnologia”, destacou.
O modelo em teste é da marca Scania, tem capacidade para 44 passageiros, ar-condicionado e câmbio automático. O mesmo veículo já passou por testes em cidades como São Paulo, Curitiba e Recife. Em Campo Grande, ele foi testado pela primeira vez em outubro de 2024, mas por apenas uma semana. Agora, com o período ampliado, a avaliação será mais completa.
Para Cristiane Schmidt, CEO da MSGás, o projeto representa um avanço na modernização do transporte público. “Apostamos muito nessa parceria. O gás natural e o biometano trazem muitos benefícios e podem ser uma solução para reduzir a poluição e melhorar a vida das pessoas”, disse.
A possível aquisição de ônibus movidos a gás natural pode contribuir para a renovação da frota do Consórcio Guaicurus, que atualmente conta com 460 veículos — cerca de 412 em circulação e 48 reservas na garagem. Segundo a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Coletivo, parte dos ônibus já ultrapassou o limite prudencial de uso.
Em depoimento à CPI, o diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, afirmou que a empresa não pretende comprar novos ônibus no momento, alegando falta de condições para financiamento. “Ônibus novo é bom, mas, sem o término das obras dos corredores, não adianta”, declarou.
Com o resultado desta nova fase de testes, a Prefeitura e os parceiros irão definir se o modelo a gás natural será incorporado de forma permanente ao transporte coletivo de Campo Grande.