Senar/MS já tirou 178 produtores da informalidade em MS; veja como funciona

Programa de agroindústria do Senar atende 460 propriedades em 46 municípios e ajuda desde o rótulo até a venda em feiras como o Festival Internacional da Carne

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Senar/MS já tirou 178 produtores da informalidade em MS; veja como funciona
Jose.brenner/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

O produtor rural sul-mato-grossense sabe plantar, colher e cuidar do rebanho. O que trava boa parte deles é o passo seguinte: como vender aquele queijo, aquele embutido ou aquela banha de porco dentro da lei. É esse gargalo que o programa de assistência técnica e gerencial em agroindústria do Senar/MS tenta destravar, e os números mostram avanço: 178 produtores já saíram da informalidade e conquistaram registro sanitário, dentro de um universo de 460 agroindústrias atendidas em 46 municípios do estado.

Os dados foram apresentados por Camila Lima Rodrigues de Arruda, coordenadora da frente de agroindústria do Senar/MS, em entrevista ao Jornal A Crítica durante o Festival Internacional da Carne, em Campo Grande, no domingo (27). Segundo ela, o medo de procurar ajuda é o principal obstáculo enfrentado por quem produz no campo. "Eles têm muito medo de se comunicar, porque acham que todas as instituições são fiscalizadoras, que vão lá para fechar, para multar", afirmou.

Do projeto ao rótulo: o que o Senar faz na prática

A frente de agroindústria nasceu durante a pandemia e cobre etapas que vão muito além da parte técnica de produção. A equipe do Senar acompanha desde o desenho da estrutura física da agroindústria até a criação da identidade visual do produto, incluindo logomarca, rótulo e tabela nutricional. Quando necessário, o suporte se estende a cartão de visita, site e portfólio comercial.

"Nós fazemos toda a identidade visual, orientamos quanto à logomarca, o rótulo, a tabela nutricional. Se ele precisar de um cartão de visita, um site, um portfólio, nós também realizamos", detalhou Camila. A equipe também auxilia o produtor a montar os programas de autocontrole exigidos pela inspeção sanitária e a participar de chamadas públicas, como as de merenda escolar. A formalização, segundo ela, pode ter alcance municipal, estadual, federal ou até chegar à exportação: uma das agroindústrias presentes no festival, de temperos e sal, já vende para os Estados Unidos.

Sindicato rural é a porta de entrada em MS

Nem todo produtor sabe que existe um caminho institucional simples para acessar o programa. Qualquer ação do Senar em um município depende de solicitação do sindicato rural local, que representa os produtores da região. Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, 69 têm sindicato rural na própria base, de acordo com a coordenadora; os demais são atendidos por um sindicato de cidade vizinha.

Depois de formalizado, o produtor esbarra em outro desafio: vender o que produz com o valor que o produto merece. "Ele tem dificuldade de comunicar a qualidade e o valor desse produto", disse Camila. Por isso o Senar leva as agroindústrias formalizadas a feiras como o Festival Internacional da Carne, onde é possível aproximar produtores de restaurantes e compradores. No estande da entidade, montado na quarta edição do evento, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, o visitante encontra embutidos, banha de porco, doces em barra e em pasta, molhos e temperos produzidos por essas agroindústrias.

O trabalho do Senar em Mato Grosso do Sul não se resume à agroindústria. Desde 2014, a entidade passou a oferecer assistência técnica e gerencial com visitas mensais de um técnico à propriedade rural, além de frentes de alfabetização de adultos e de saúde, que neste ano leva ginecologistas, urologistas, oftalmologistas e dentistas a homens e mulheres do campo. Há ainda cursos técnicos de dois anos nas áreas de florestas, zootecnia, agropecuária e agronegócio, em formato presencial ou semipresencial. Quem tiver interesse em qualquer um desses serviços deve procurar o sindicato rural do município ou o Sistema Famasul, em Campo Grande.

O Festival Internacional da Carne encerra neste domingo (27), no Parque de Exposições Laucídio Coelho, com entrada gratuita e mais de 30 estações de assadores. A programação do último dia inclui shows com Zé do Pantanal e Renato Pacheco, roda de viola, brunch com música eletrônica, oficinas na carreta-escola de gastronomia do Senac MS e área infantil Fazendinha.

Fontes: SENAR/MS; A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE


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