Pecuária gera 33% da proteína do mundo, e MS puxa fatia do bovino

FAO calcula que o setor movimenta US$ 1,8 trilhão por ano; maior rebanho bovino do país está em MS, segundo Famasul

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Pecuária gera 33% da proteína do mundo, e MS puxa fatia do bovino
Coordenação-Geral de Observação da Terra/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Um levantamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que a pecuária mundial, incluindo a criação de aves, é responsável por 33% de toda a proteína consumida no planeta e movimenta cerca de US$ 1,8 trilhão por ano, valor que representa 40% do PIB agrícola global. O dado reforça o peso econômico de um setor que, em Mato Grosso do Sul, tem no gado bovino um dos pilares da economia estadual.

A pesquisa da FAO chama atenção para um ponto que costuma passar despercebido: a segurança alimentar do planeta depende muito mais do abastecimento local e nacional do que do comércio internacional. Apenas 15% da carne, 12% dos laticínios e 3% dos ovos produzidos no mundo cruzam fronteiras. Isso significa que, na prática, cada país precisa produzir o próprio alimento para garantir o prato da própria população, o que valoriza regiões produtoras como Mato Grosso do Sul dentro do mercado interno brasileiro.

Como se divide a proteína animal no mundo

Segundo o estudo, sistemas mistos de agricultura e pecuária e a avicultura respondem, cada um, por cerca de 30% do fornecimento mundial de proteína animal. A suinocultura vem em seguida, com 19%, enquanto o pastoreio tradicional soma 12% e os confinamentos ficam com 3%. No recorte de carnes, animais monogástricos (aves e suínos) concentram 74% da produção anual, contra 26% dos ruminantes, categoria que inclui o boi.

O relatório também aponta que o gado bovino responde por 81% de toda a oferta global de leite, número que ajuda a explicar por que Mato Grosso do Sul, estado que concentra um dos maiores rebanhos bovinos do país segundo a Federação da Agricultura e Pecuária (Famasul), segue como peça relevante na cadeia nacional de carne e derivados lácteos.

Diferença entre continentes e o peso ambiental

A distribuição de consumo de proteína animal também varia muito conforme a região do globo. Nas Américas, na Europa e na Oceania, a proteína de origem animal representa mais de 50% do aporte proteico da população. Na África, essa participação cai para menos de 18%, uma diferença que a FAO relaciona à disputa por terras aráveis entre plantio de ração animal e produção de alimentos para consumo humano direto.

Do lado ambiental, o estudo credita à pecuária 12% das emissões antrópicas de gases de efeito estufa no mundo, com destaque para o metano entérico gerado pelo gado bovino. É um dado que pressiona produtores de estados pecuaristas, caso de Mato Grosso do Sul, a investir em manejo de pastagem e tecnologias de baixo carbono para manter competitividade em mercados que cobram rastreabilidade ambiental.

Fontes: FAO; CANAL RURAL


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