Em Campo Grande, mãe faz 200 bonecos de pano em homenagem ao filho

Rosi Queiroz aprendeu a técnica em oficina do Cras Jardim Aeroporto e usa a costura para elaborar o luto e ajudar crianças vulneráveis

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Sergei Starostin/Pexels
Sergei Starostin/Pexels

Perder um filho é uma dor que não se mede. Foi o que viveu a costureira Rosi Queiroz, moradora de Campo Grande, depois da morte de Carlos Gilberto Ferreira de Queiroz, o Carlinhos, em janeiro de 2026. Oito meses depois, ela encontrou numa oficina de artesanato do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Jardim Aeroporto o caminho para transformar a saudade em um projeto que já tem meta definida: 200 bonecos de pano para distribuir a crianças em vulnerabilidade social até o fim do ano.

A ideia nasceu quase por acaso. Uma amiga chamou Rosi para o curso por mensagem de celular, numa tentativa de tirá-la de casa e ocupar a cabeça. O que era para ser distração virou rotina de produção, aprendizado e, segundo ela própria descreve, um alívio para o peso que carregava.

Da oficina do Cras ao nascimento do projeto Linho

O curso de bonecas de fuxico foi conduzido pela professora Lucileide da Rosa Pires, da Gerência de Trabalho e Ações de Cidadania, e reuniu 20 participantes ao longo de três semanas. O conteúdo foi além da costura básica: entrou seleção de tecidos, corte, montagem de fuxico, confecção de cabelo e roupa para as bonecas e até noções de precificação, pensando em quem quiser transformar a habilidade em renda.

Foi ali que Rosi deu os primeiros passos do que batizou de "Linho: criando memórias e trazendo alegria", nome que escolheu em referência direta ao apelido do filho. "Sair de casa para fazer esse curso me fez muito bem. Foram três semanas em que eu estive muito bem, cheguei em casa muito leve e me satisfez", contou a artesã, que se destacou tanto que passou a ajudar outras colegas durante as aulas.

Bonecos com coração bordado e marca de nascença

Cada peça carrega uma assinatura pessoal: um coração bordado no peito e uma marca no pescoço, reprodução da mancha de nascença que o filho tinha. Os modelos ganharam nomes, Juju e Linho, este último uma homenagem direta a Carlinhos, descrito pela mãe como alguém generoso e sempre disposto a ajudar.

"Esse vazio que a minha alma sente me impulsionou a fazer algo que meu filho gostaria que eu fizesse, que seria me doar. Depois que comecei a fazer esses bonecos, me sinto um pouco mais leve. Sei que, se ele estivesse em vida, estaria muito feliz com essa iniciativa", disse Rosi, emocionada.

O projeto não tem fins lucrativos e depende de doações de insumos como lã e enchimento para manter a produção em ritmo de chegar às 200 unidades prometidas. Rosi conta com a ajuda da família na confecção e busca apoio da comunidade para sustentar o trabalho. "Caso o volume de vendas apareça ao longo do caminho, os recursos serão revertidos para a continuidade do próprio projeto", explicou. A iniciativa integra as ações da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS) de Campo Grande, que mantém oficinas de capacitação em unidades do Cras pela cidade.

Fontes: PREFEITURA DE CAMPO GRANDE (SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E CIDADANIA)


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