A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande ganhou um alívio emergencial nesta semana: o governo de Mato Grosso do Sul vai repassar R$ 3 milhões ao hospital, e a prefeitura da Capital entra com mais R$ 1 milhão, somando R$ 4 milhões destinados exclusivamente à compra de insumos hospitalares. O anúncio foi feito pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Villela, durante audiência pública na Câmara Municipal na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, quando a gestão prestou contas do segundo quadrimestre do ano.
O dinheiro chega num momento em que o hospital filantrópico enfrenta a pior turbulência administrativa dos últimos anos, com investigação do Ministério Público e troca de comando em meio a denúncias sobre a aplicação de recursos públicos. Villela foi direto ao tratar da destinação da verba: segundo ele, não há brecha para usar o repasse na quitação de dívidas acumuladas pela instituição, e a expectativa é de que o valor esteja disponível até sexta-feira, 2 de outubro.
A regra estabelecida pela prefeitura e pelo Estado é clara: o repasse serve só para reabastecer o estoque de materiais médicos, insumo que faltou em diversos momentos da crise e chegou a comprometer cirurgias e internações na rede. "Os recursos não poderão ser usados para pagar dívidas antigas", afirmou Marcelo Villela durante a audiência, reforçando que o objetivo é garantir o funcionamento imediato do hospital, não sanear o passivo acumulado.
A fala do secretário aconteceu num momento de cobrança direta dos vereadores. O parlamentar Jean Ferreira (PT) citou os escândalos recentes envolvendo a Santa Casa e questionou que medidas estão sendo tomadas para blindar a população dos efeitos da crise na rede pública. Ele revelou que, junto a outros vereadores, já encaminhou ao Ministério da Saúde um pedido de auditoria federal para investigar a aplicação dos recursos que o hospital recebe do governo federal, hoje na casa de R$ 18 milhões mensais, segundo o próprio vereador.
A instituição vive uma transição administrativa desde que o Ministério Público pediu a intervenção na direção do hospital. O médico Luiz Alberto Kanamura assumiu a gestão, substituindo a diretoria anterior, alvo de questionamentos que já levaram à Justiça afastar a diretoria da Santa Casa de Campo Grande em episódio anterior da crise. Villela confirmou que a prefeitura ainda vai se reunir com o novo responsável e com representantes do Ministério Público para alinhar os próximos passos.
Para o secretário, a origem dos problemas está na gestão administrativa do hospital, e não na estrutura em si. Ele afirmou acreditar que a mudança de comando pode destravar o funcionamento da Santa Casa, que é referência para Campo Grande e recebe pacientes encaminhados de outras regiões de Mato Grosso do Sul. A instabilidade recente já reduziu a oferta de leitos e atrasou procedimentos, efeito que a prefeitura e o Estado tentam conter agora com a injeção de recursos. A situação é a mais recente de uma sequência de trocas na cúpula do hospital, que teve três presidentes em apenas 11 dias durante o auge da crise administrativa.
Fontes: PREFEITURA DE CAMPO GRANDE; SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MS