Petróleo dispara 6% e usinas de MS enfrentam dilema entre etanol e açúcar

Alta do petróleo melhora a competitividade do etanol e aumenta pressão sobre oferta global de açúcar, com déficit projetado de até 3,2 milhões de toneladas para 2026/27.

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A disparada de mais de 6% no preço do petróleo bruto nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, empurrou as cotações do açúcar aos maiores patamares das últimas semanas nas bolsas internacionais — e colocou as usinas sucroenergéticas de Mato Grosso do Sul diante de uma equação cada vez mais vantajosa para o etanol. Em Nova York, o contrato de outubro fechou a 18,73 cents por libra-peso, alta de 33 pontos. Em Londres, o mesmo vencimento avançou 400 pontos, para US$ 538,30 por tonelada — o maior nível em meses.

A lógica do mercado é direta: quando o petróleo sobe, o etanol se torna mais competitivo frente aos combustíveis fósseis, e as usinas passam a redirecionar parcela maior da cana para a produção do biocombustível. O resultado é menos cana destinada ao açúcar, menos açúcar disponível e, consequentemente, pressão de alta nos preços internacionais. Para as unidades instaladas em MS, essa dinâmica já define o mix de produção safra a safra — e o movimento desta semana reacende o debate sobre para onde vai a cana da próxima temporada.

Tailândia e projeções de déficit aprofundam o cenário de aperto

O empurrão do petróleo chegou em um momento em que o mercado já estava de olho na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar. Na segunda-feira, a Thai Sugar Millers Corp projetou queda de 17% na produção tailandesa na safra 2026/27, para aproximadamente 10 milhões de toneladas. Menos cana tailandesa no mercado global significa menos açúcar disponível para exportação — e mais espaço para o produto brasileiro, inclusive o produzido em MS.

O cenário de oferta restrita é reforçado pelas projeções das principais consultorias do setor. A Green Pool estima déficit global de 3,2 milhões de toneladas para 2026/27. A StoneX prevê saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas, e a Covrig Analytics aponta 300 mil toneladas abaixo da demanda. Já a Organização Internacional do Açúcar (ISO) trabalha com déficit de 200 mil toneladas — uma virada expressiva em relação ao superávit de 1,1 milhão de toneladas estimado para 2025/26. A produção mundial projetada para 2026/27 é de 180,1 milhões de toneladas, recuo de 1% ante o ciclo anterior.

Europa em seca e Índia ainda no radar dos traders

Na Europa, as temperaturas elevadas e a seca castigaram as lavouras de beterraba. Segundo a S&P Global Energy, a produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido deve fechar em 14,98 milhões de toneladas — o menor volume em 11 anos. Mais um vetor que aperta a oferta global e sustenta as cotações em patamar elevado, favorecendo os exportadores do Hemisfério Sul — entre eles, o Brasil.

O único fator que ainda traz cautela ao mercado é a Índia. O país vinha sendo monitorado pela possibilidade de aumentar importações de açúcar, o que adicionaria demanda ao mercado. A nova leitura, porém, é que a Índia pode importar menos do que o inicialmente esperado — o que retiraria um suporte de preços. Mesmo assim, com petróleo em alta, Tailândia em baixa e Europa na seca, o balanço ainda favorece as usinas sul-mato-grossenses que apostaram em açúcar para exportação neste ciclo.

Fontes: ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO AÇÚCAR (ISO); THAI SUGAR MILLERS CORP; S&P GLOBAL ENERGY; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS