Soja atinge maior preço em 3 anos em Chicago e aquece portos que escoam MS
China comprou 1 milhão de toneladas dos EUA nesta semana e relatório do USDA pode cortar estimativas de safra amanhã; veja o que esperar dos preços
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Os contratos futuros da soja dispararam na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, encerrando nos melhores níveis em três anos — e o efeito chegou diretamente aos portos de Paranaguá e Rio Grande, pelos quais escoa parte relevante da produção sul-mato-grossense. O contrato de novembro fechou em alta de 1,73%, a US$ 13,32 por bushel, puxado por uma compra chinesa de cerca de 1 milhão de toneladas de soja americana registrada ao longo desta semana e pela expectativa em torno do relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para sexta-feira.
O analista Rafael Silveira, da consultoria Safras & Mercado, acompanhou o mercado físico ao longo do dia e observou cotações aquecidas nos dois principais portos exportadores. No interior, contudo, o quadro é de escassez: produtores seguem retraídos, recusando-se a liquidar estoques num momento em que a oferta disponível é mínima — e justamente por isso os preços se sustentam firmes.
Pouco grão disponível no Centro-Oeste sustenta o basis acima da paridade"Em regiões do Centro, como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, resta muito pouco volume de soja", destacou Silveira. A situação é ainda mais crítica no Matopiba — corredor que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, onde praticamente não há mercado disponível na safra velha, com as atenções voltadas para ofertas da safra nova. Mato Grosso do Sul, que integra o mesmo cinturão produtivo do Centro-Oeste, vive dinâmica semelhante: produtores presos ao grão enquanto os compradores precisam correr atrás de volume.
O basis local — diferencial entre o preço físico e o futuro — permanece extremamente forte, segundo o analista. Em Mato Grosso, há registros de ofertas muito acima da paridade de exportação, ainda que para poucos volumes. O spread entre compradores e vendedores segue elevado, o que torna a originação no mercado interno um exercício de paciência. O dólar comercial encerrou a sessão cotado a R$ 5,10, depois de oscilar entre R$ 5,08 e R$ 5,14 ao longo do dia — volatilidade que adicionou incerteza ao cálculo dos produtores.
China acelera compras antes da visita de Xi Jinping a WashingtonPor trás da disparada em Chicago está um movimento geopolítico concreto: a China está acelerando as compras de soja americana antes da visita do presidente Xi Jinping a Washington, prevista para o final de setembro. Segundo a Agência Reuters, as aquisições desta semana elevam o total comprado por Pequim a quase metade das 25 milhões de toneladas anuais que a Casa Branca afirma que a China se comprometeu a adquirir até 2028. Somente nesta quinta-feira, exportadores privados americanos confirmaram a venda de 271 mil toneladas para a China e de 206,5 mil toneladas para destinos não declarados.
Esse volume de demanda, concentrado em poucos dias, foi o principal combustível para que os contratos de novembro rompessem resistências e marcassem o fechamento mais alto em três anos. A posição janeiro acompanhou, encerrando a US$ 13,47 por bushel, alta de 1,66%. Nos subprodutos, o farelo de dezembro subiu 1,53%, a US$ 356,90 por tonelada, e o óleo de dezembro avançou 1,91%, a 71,92 centavos por libra-peso.
Relatório do USDA pode cortar estimativas e empurrar preços ainda maisO mercado chega à sexta-feira posicionado para mais um catalisador: o relatório de setembro do USDA. Analistas consultados por agências internacionais projetam que o Departamento reduza sua estimativa para a safra americana 2026/27 de 4,519 bilhões de bushels — número de agosto — para 4,492 bilhões. Os estoques de passagem também devem ser revisados para baixo: a aposta do mercado é em 289 milhões de bushels, ante os 320 milhões projetados anteriormente.
No quadro mundial, o mercado trabalha com estoques finais 2026/27 em 123,1 milhões de toneladas, abaixo dos atuais 124,2 milhões. Para os produtores que ainda guardam grão em Mato Grosso do Sul e seguiam na expectativa do relatório, o momento pede atenção ao que o USDA divulgará: se as estimativas caírem como o mercado projeta, a pressão de alta sobre as cotações pode abrir uma nova janela para travar preço — especialmente para quem ainda tem volume disponível numa semana em que quase ninguém quer vender.
Fontes: SAFRAS & MERCADO; USDA; REUTERS; CANAL RURAL