Café bate recorde em agosto, mas Santos trava exportação de MS

Brasil exportou 4,155 milhões de sacas em agosto de 2026, alta de 31% — mas gargalo portuário que freou o acumulado do ano é o mesmo que atrasa soja e celulose sul-mato-grossenses

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O Brasil encerrou agosto de 2026 com o melhor desempenho exportador de café da história para o mês: 4,155 milhões de sacas de 60 kg embarcadas e receita cambial de US$ 1,331 bilhão, crescimento de 31% em volume e 19,8% em receita frente a agosto de 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O resultado é expressivo — e o gargalo que o freou durante o primeiro semestre do ano é o mesmo que preocupa exportadores de soja, celulose e carne de Mato Grosso do Sul.

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, atribuiu o resultado de agosto à maior disponibilidade de cafés arábicas da nova safra e ao avanço das variedades canéforas — conilon e robusta —, que registraram a melhor performance histórica para meses de agosto. No entanto, o acumulado de janeiro a agosto de 2026 ainda carrega as marcas de um primeiro semestre difícil: 25,073 milhões de sacas exportadas para 119 países, volume 1,2% abaixo do mesmo período de 2025, com receita cambial de US$ 8,787 bilhões, queda de 9,3%.

Porto de Santos concentra 70,9% dos embarques — e o gargalo afeta todo o agro

O ponto que conecta o setor cafeeiro com a realidade de Mato Grosso do Sul está no escoamento. Santos respondeu por 70,9% de todos os embarques brasileiros de café entre janeiro e agosto de 2026, totalizando 17,788 milhões de sacas. O próprio Ferreira apontou a "defasagem na infraestrutura portuária" como um dos fatores que pesaram no desempenho negativo do acumulado — e esse é exatamente o mesmo gargalo que produtores de soja de Dourados e Maracaju, e exportadores de celulose de Três Lagoas, enfrentam ao escoar a produção sul-mato-grossense pelo mesmo porto. Quando Santos trava, todo o agro de MS sente.

Ferreira também citou "incertezas comerciais nos Estados Unidos" como fator de pressão sobre os resultados do primeiro semestre. Os EUA foram o principal destino do café brasileiro entre janeiro e agosto, absorvendo 3,158 milhões de sacas, à frente de Alemanha (2,824 milhões), Itália (2,248 milhões), Bélgica (2,115 milhões) e Japão (1,305 milhão).

Conilon puxa crescimento e abre espaço para diversificação

O segmento que mais cresceu em agosto foi o de conilon e robusta, com alta de 53,6% em relação a agosto de 2025, chegando a 953.592 sacas. O arábica avançou 25,7%, para 2,866 milhões de sacas. O café solúvel também subiu, 24,3%, com 332.192 sacas. O desempenho reflete, segundo o Cecafé, a evolução da qualidade do conilon brasileiro no mercado global — um dado que interessa a produtores do interior que avaliam diversificação de culturas.

No primeiro bimestre do ano-safra 2026/2027 — formado por julho e agosto —, o Brasil já acumula 7,204 milhões de sacas exportadas e receita cambial de US$ 2,242 bilhões, com crescimento de 21,5% em volume. Se o ritmo de agosto se sustentar, os números anuais devem se recuperar nos próximos meses — mas isso dependerá, entre outros fatores, de quanto a infraestrutura portuária consegue absorver sem travar o escoamento das safras ainda em campo. Para o mercado de trabalho no agro, um segundo semestre forte pode sustentar empregos no setor exportador.

Fontes: CONSELHO DOS EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL (CECAFÉ); CANAL RURAL