Índia antecipa safra de cana e menor oferta global aquece mercado para usinas de MS
Uttar Pradesh, maior estado produtor indiano, autoriza moagem a partir de 15 de outubro com estimativa 5% menor que a safra atual — cenário que pode valorizar o açúcar exportado pelo Brasil.
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O maior estado produtor de açúcar da Índia autorizou, na quarta-feira (9), o início da moagem de cana-de-açúcar a partir de 15 de outubro — duas semanas antes do que ocorreu no ciclo anterior —, mas com uma ressalva que interessa diretamente ao mercado global: a quantidade disponível deve cair para 99 milhões de toneladas, ante as 104,5 milhões processadas na safra atual, uma retração de cerca de 5%, segundo o departamento estadual de agricultura indiano.
A antecipação do calendário, anunciada em comunicado oficial do governo de Uttar Pradesh, acontece num momento delicado: o país atravessa uma alta histórica nos preços internos do açúcar e, no mês passado, autorizou a importação isenta de impostos de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto para tentar aliviar a pressão sobre o consumidor — medida incomum para a maior nação consumidora do produto no mundo.
Menos cana na Índia, mais espaço para o açúcar brasileiro no mercado globalPara o setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul, a equação indiana representa uma oportunidade concreta. Com a oferta indiana menor e os preços internos lá fora pressionados, o açúcar brasileiro — inclusive o produzido nas usinas da região de Naviraí e Dourados — ganha competitividade nas cotações internacionais. A lógica é direta: quando o maior produtor asiático reduz seu volume, o mercado busca suprir o déficit em outros exportadores, e o Brasil está na linha de frente.
O setor nacional já vinha em expansão. Segundo a projeção da Conab para a safra 2026/2027, a produção brasileira de cana deve crescer 4,7% — justamente quando a Índia sinaliza contração. Paralelamente, usinas do Centro-Sul já redirecionaram parte da cana para etanol, o que reduziu o volume de açúcar em 26%, mas qualquer valorização internacional da commodity pode inverter essa lógica rapidamente.
Índia tenta equilibrar consumo recorde com importação emergencialO governo indiano enfrenta um dilema clássico: é ao mesmo tempo o maior consumidor e um dos maiores produtores mundiais de açúcar. Quando a safra vacila internamente, o impacto se propaga para toda a cadeia global. A importação emergencial de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifas foi uma tentativa de conter preços que atingiram níveis recordes — mas a medida, por si só, não resolve a questão estrutural de uma safra menor à vista.
Com a moagem prevista para começar em 15 de outubro, as próximas semanas serão decisivas para calibrar o volume real que o estado produzirá e o reflexo nos contratos futuros do açúcar nas bolsas internacionais — mercado que as usinas sul-mato-grossenses acompanham de perto para definir suas estratégias de comercialização.
Fontes: GOVERNO DE UTTAR PRADESH; REUTERS; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS