Mato Grosso do Sul alcançou uma posição de destaque no agronegócio nacional ao registrar o menor custo operacional para a produção de soja entre os principais estados produtores do Brasil. No entanto, a vantagem conquistada dentro das propriedades rurais ainda esbarra em um velho desafio: a logística de transporte.
Os dados fazem parte de um levantamento da Aegro Insights, que analisou a safra 2025/2026 em sete grandes estados produtores de soja. O estudo revelou que o custo operacional efetivo (COE) em Mato Grosso do Sul ficou em R$ 4.772 por hectare, o menor entre os estados avaliados. Apesar disso, o produtor sul-mato-grossense recebeu, em média, apenas R$ 113,32 por saca, o segundo menor valor do levantamento.
Segundo a análise, o resultado demonstra a capacidade dos produtores do Estado em controlar despesas e otimizar recursos, mesmo diante dos desafios enfrentados nos últimos anos, como estiagens e perdas de safra.
Eficiência reconhecida
O estudo destaca que a resiliência dos produtores sul-mato-grossenses contribuiu diretamente para a redução dos custos de produção. A experiência acumulada após sucessivos períodos de dificuldades fez com que muitos agricultores aperfeiçoassem o gerenciamento financeiro e operacional das lavouras.
Além de produzir com menor custo, Mato Grosso do Sul registrou uma produtividade expressiva. A safra 2025/2026 alcançou média de 62,8 sacas por hectare, considerada a melhor dos últimos anos e um recorde dentro da série histórica analisada.
Distância dos portos pesa no resultado
Apesar da eficiência no campo, a localização geográfica continua sendo um fator que limita a rentabilidade do setor. A distância dos principais portos brasileiros encarece tanto a chegada dos insumos quanto o escoamento da produção destinada ao mercado interno e às exportações.
Essa realidade impacta diretamente o preço final recebido pelos produtores. Enquanto agricultores do Rio Grande do Sul receberam, em média, R$ 123,81 por saca de soja, os sul-mato-grossenses ficaram com R$ 113,32 por saca, diferença de R$ 10,49.
Outro exemplo aparece no custo dos fertilizantes. Em Mato Grosso do Sul, uma tonelada de cloreto de potássio chegou a representar o equivalente a 25,7 sacas de soja, índice superior ao observado em estados mais próximos dos portos.
Gestão faz a diferença
Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é que os agricultores mais rentáveis não foram necessariamente aqueles que mais cortaram despesas. O diferencial esteve na capacidade de negociar melhor a compra de insumos sem comprometer o manejo da lavoura.
Os produtores com melhores resultados chegaram a investir mais em fungicidas do que a média estadual, mantendo a proteção das lavouras contra doenças como a ferrugem asiática. A economia foi obtida principalmente por meio de negociações mais eficientes em fertilizantes, combustíveis e encargos financeiros.
Segundo o levantamento, em propriedades de aproximadamente mil hectares, uma boa estratégia de negociação pode representar uma economia equivalente a até 2,4 sacas de soja por hectare.
Desafio para a próxima safra
O estudo também faz um alerta para a safra 2026/2027. A influência do fenômeno El Niño aumenta o risco de irregularidade das chuvas e pode afetar a produtividade em algumas regiões do Estado, especialmente no norte sul-mato-grossense.
Diante desse cenário, especialistas recomendam cautela na gestão dos investimentos, mas sem comprometer o potencial produtivo das lavouras. A adoção de tecnologias, melhorias no manejo e até sistemas de irrigação podem ser alternativas para reduzir riscos climáticos e manter a competitividade do setor.
Potencial continua forte
Mesmo com os desafios logísticos, Mato Grosso do Sul segue consolidado como um dos principais polos de produção agrícola do Brasil. Os números mostram que o Estado possui produtores altamente eficientes, capazes de alcançar excelente produtividade e baixo custo de produção. O próximo passo para ampliar a rentabilidade do setor passa por investimentos em infraestrutura, logística e corredores de exportação, capazes de aproximar a produção dos mercados consumidores e internacionais.