A queda no preço pago pelas fumageiras aos produtores de tabaco nas últimas negociações de safra está forçando agricultores de Mato Grosso do Sul a reverem custos e estratégias antes de fechar contratos para o próximo ciclo produtivo. O recuo na remuneração, observado em diferentes regiões produtoras do Brasil, chega em um momento em que os insumos agrícolas permanecem pressionados, reduzindo a margem de quem depende exclusivamente da cultura.
O tabaco é uma das poucas culturas ainda baseadas no sistema de integração produtor-fumageira, modelo que garante assistência técnica e compra antecipada, mas que também limita o poder de negociação do agricultor quando o mercado internacional desacelera. Com a demanda global por cigarro em declínio estrutural e o dólar oscilante, as empresas têm repassado parte da pressão para o campo na forma de preços menores ou bonificações mais modestas por qualidade.
No Cone Sul de Mato Grosso do Sul, municípios como Naviraí, Iguatemi e Mundo Novo abrigam famílias que cultivam tabaco em regime de agricultura familiar integrada, frequentemente em pequenas propriedades de até 20 hectares. Para esses produtores, a variação de poucos centavos por quilo já representa diferença significativa no resultado anual, uma vez que a margem operacional da cultura é historicamente estreita.
Técnicos ligados ao setor alertam que, diante da queda nos preços, a cautela deve começar na fase de planejamento: dimensionar a área plantada de acordo com a capacidade de absorver eventuais perdas, negociar antecipadamente os insumos contratados e avaliar a possibilidade de diversificação com culturas de subsistência ou comercialização local em paralelo ao tabaco.
Fertilizantes, agroquímicos e lenha para as estufas de secagem — itens centrais na produção de tabaco Virgínia — mantiveram preços elevados em comparação com o período pré-pandemia, mesmo com a relativa estabilidade cambial dos últimos meses. O resultado é que a queda na receita não veio acompanhada de alívio nos custos, o que estreita ainda mais o lucro líquido por hectare cultivado.
Especialistas do setor recomendam que o produtor calcule o custo total de produção antes de assinar o contrato com a integradora e negocie a quantidade de área comprometida, evitando expandir o plantio em um ciclo de preços desfavoráveis. A análise do histórico de preços pagos nos últimos três anos e a comparação com culturas alternativas também são ferramentas recomendadas para a tomada de decisão.
Com o plantio da próxima safra de tabaco se aproximando no calendário agrícola do sul do estado, a orientação que circula entre técnicos e extensionistas é de moderação na área e atenção redobrada à qualidade, já que as fumageiras seguem pagando prêmios por folhas de classificação superior. Quem conseguir entregar matéria-prima de melhor qualidade tende a compensar parcialmente o preço-base menor com as bonificações por lote.
A expectativa é que as negociações de contrato para a safra 2025/2026 sejam concluídas ainda no segundo semestre deste ano. Produtores e sindicatos rurais da região fronteiriça de MS acompanham de perto o patamar de preços praticados no Rio Grande do Sul e Santa Catarina — estados líderes nacionais na cultura — para balizar suas próprias negociações locais e evitar aceitar condições abaixo da média nacional.
Fontes: CANAL RURAL