Cinquenta e dois jovens e adultos em formação para liderar o agronegócio sul-mato-grossense desembarcaram em Brasília nesta quarta-feira, 26 de agosto, para uma imersão de três dias no coração da representação política e institucional do setor rural brasileiro. A delegação integra o Programa Líder MS, iniciativa do Sistema Famasul, e a agenda se estende até sexta-feira (28) com visitas à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reuniões com representantes do Congresso Nacional e palestras com dirigentes das principais entidades do agro.
A viagem representa um momento de inflexão para o programa: pela primeira vez em sua história, o Líder MS passa a ter reconhecimento acadêmico formal, com status de pós-graduação lato sensu garantido por parceria com o Centro Universitário Insted, de Campo Grande. A mudança eleva o nível de credencial que os participantes levarão de volta ao estado — e sinaliza a aposta da Famasul em formar quadros capazes de atuar não só na porteira, mas também nas arenas legislativas e institucionais onde as regras do setor são decididas.
A abertura da agenda em Brasília foi marcada por uma apresentação direta ao grupo sobre a estrutura da CNA e seu papel político. O diretor técnico da confederação, Bruno Lucchi, explicou o funcionamento das comissões temáticas da entidade — instâncias que reúnem especialistas e lideranças para debater e formular posições sobre crédito rural, tributação, trabalhismo e regulação ambiental, entre outros temas que afetam diretamente os produtores de Mato Grosso do Sul.
A sessão deu sequência a uma fala do vice-presidente da CNA e presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, que situou o propósito da visita. "Esse conhecimento é parte da preparação para a defesa do setor e dos produtores rurais", ressaltou Bertoni ao receber o grupo. Para quem planta soja no Cone Sul ou cria gado no Pantanal, a mensagem é clara: entender como as decisões políticas são moldadas em Brasília é tão essencial quanto conhecer o manejo da propriedade.
Dois temas de peso para o agronegócio sul-mato-grossense foram detalhados durante o encontro. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, apresentou a atuação da entidade na abertura e defesa de mercados para o agro brasileiro no exterior — área de interesse direto para MS, um dos maiores exportadores de proteína animal e grãos do país. Mori também apresentou o projeto agroBR, voltado a ampliar a participação de pequenos e médios produtores nas exportações, o que pode abrir oportunidades para produtores familiares de regiões como Dourados, Maracaju e Caarapó.
Já a chefe da Assessoria de Relações Institucionais da CNA, Miriam Vaz, detalhou como a confederação articula sua agenda legislativa com parlamentares da bancada ruralista no Congresso — desde propostas de reforma do crédito até medidas que impactam o licenciamento ambiental e o uso da terra. Para lideranças em formação que um dia podem se sentar à mesa nessas negociações, conhecer os bastidores desse processo é parte central do currículo.
Com duração de dois anos, o Líder MS é o principal programa de formação de lideranças rurais do estado e tem como alvo profissionais que já atuam no setor ou que estão em posições de gestão em cooperativas, associações e propriedades rurais. A eleição de Brasília como destino de imersão não é casual: o estado figura entre os maiores produtores nacionais de soja, milho, carne bovina e celulose, e seus interesses dependem, em grande medida, de como são representados na capital federal.
A concessão do título de pós-graduação ao programa — novidade desta turma — reforça a tendência de profissionalização da liderança rural em MS. Mais do que gestores de fazenda, a Famasul busca formar interlocutores capazes de dialogar com órgãos reguladores, bancos públicos e legisladores. A delegação retorna ao estado na sexta-feira com uma agenda que, segundo a Famasul, deve incluir ainda visitas a outros órgãos públicos ligados ao setor produtivo.
Fontes: SISTEMA FAMASUL, CNA