Perda gestacional chega a 30% em novilhas; veja como evitar no rebanho de MS

Com o bezerro em alta valorização, pecuaristas sul-mato-grossenses precisam blindar o rebanho antes da estação de monta 2026/2027 para não deixar lucro escapar no pasto.

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Perda gestacional chega a 30% em novilhas; veja como evitar no rebanho de MS
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O momento é favorável para o pecuarista de cria em Mato Grosso do Sul, mas o mercado aquecido para o bezerro só se converte em lucro real se o produtor agir antes da estação de monta — e a janela para isso está se fechando. Especialistas alertam que falhas no manejo nutricional e sanitário podem fazer o produtor perder até 30% dos bezerros esperados ainda dentro da barriga da vaca, mesmo com uma gestação confirmada no diagnóstico.

MS é um dos maiores estados produtores de bovinos do Brasil, com rebanho que ultrapassa 21 milhões de cabeças, e a safra 2026/2027 começa a ser definida agora — nas decisões tomadas antes de o touro entrar no pasto ou de os protocolos hormonais serem iniciados. Quem não se preparar vai carregar o ônus em desmame baixo e bezerro que não veio.

O gap que engole o lucro entre a gestação confirmada e o parto

Francisco Lopes, especialista em reprodução da Zoetis, explica que o risco reprodutivo não termina no momento em que o veterinário confirma a prenhez. Pelo contrário: entre o diagnóstico feito aos 30 ou 45 dias e o parto, as perdas por reabsorção embrionária e aborto atingem até 30% nas novilhas e primíparas, e ficam entre 10% e 12% nas vacas adultas. Em uma fazenda que esperava 100 bezerros de novilhas, isso significa que até 30 animais podem simplesmente não nascer — sem que o produtor perceba onde errou.

As principais vilãs dessas perdas são doenças infecciosas silenciosas: a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), a Diarreia Viral Bovina (BVD) e a Leptospirose. O protocolo de vacinação reprodutiva contra esses três agentes é, segundo o especialista, o principal escudo para garantir que as gestações cheguem ao final. "O uso rigoroso das vacinas reprodutivas é o que impede a perda embrionária e garante a entrega da bezerrada no pasto", disse Lopes.

Nutrição e escore corporal definem o ritmo da reprodução

Antes de pensar em protocolo hormonal ou inseminação artificial em tempo fixo (IATF), o produtor precisa olhar para o corpo da vaca — literalmente. O Escore de Condição Corporal (ECC) é a bússola do manejo reprodutivo: matrizes que chegam ao parto com nota acima de 3,5 em uma escala de 1 a 5 têm involução uterina mais rápida e retornam ao cio com menos intervalo, o que permite encaixá-las em protocolos de IATF ainda no início da estação de monta.

Vacas abaixo desse escore chegam ao parto debilitadas, demoram mais para ciclar e acabam "perdendo" serviços dentro da mesma estação — o que se traduz em bezerros que nascem tarde, são vendidos menores ou sequer entram na contagem do ano. A categorização do rebanho em lotes homogêneos de acordo com o escore permite ajustar a nutrição com antecedência e montar protocolos específicos por categoria, maximizando a taxa de concepção no primeiro serviço.

Para o produtor de MS, o diagnóstico começa pelo histórico da fazenda

Com rebanho distribuído por todas as regiões do estado — da região de Aquidauana e Corumbá, no Pantanal, até os municípios de Dourados, Maracaju e Naviraí, no Cone Sul —, o pecuarista sul-mato-grossense enfrenta desafios distintos de clima, pastagem e logística que tornam o planejamento antecipado ainda mais crítico. O calendário de chuvas, que define a qualidade do pasto e, por consequência, o escore das matrizes, varia bastante entre as microregiões do estado.

O ponto de partida recomendado pelos especialistas é o diagnóstico dos dados da estação anterior: quantas vacas foram cobertas, qual foi a taxa de prenhez confirmada, quantos bezerros foram efetivamente desmamados e qual foi o percentual de perda entre diagnóstico e parto. Esse levantamento revela os gargalos reais da operação e orienta onde aplicar recursos — seja em nutrição, seja no reforço do calendário vacinal. Em um ciclo onde o bezerro vale mais, proteger cada gestação confirmada não é detalhe: é o próprio negócio.

Fontes: ZOETIS, CANAL RURAL


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