Mato Grosso do Sul enfrenta nesta semana uma combinação perigosa para o campo: calor superior a 36°C, umidade relativa do ar que pode cair abaixo de 20% e ausência total de chuva agrícola no horizonte. O cenário, confirmado por meteorologistas para esta segunda-feira (24), preocupa produtores rurais e trabalhadores a céu aberto em todo o Centro-Oeste, região da qual o estado faz parte integralmente.
Enquanto estados do Sul do país registram temperaturas entre 15°C e 17°C sob influência de uma massa de ar frio, o interior do Brasil vive o oposto: sol forte, ar ressecado e nenhum sistema meteorológico capaz de organizar precipitações relevantes sobre as áreas produtoras. Para o agronegócio sul-mato-grossense — que concentra safras de soja, milho e pecuária de corte —, a estiagem que se estende sem alívio imediato exige atenção redobrada com irrigação, disponibilidade hídrica e saúde dos trabalhadores rurais.
Amanda Balbino, meteorologista da Ampere Consultoria, descartou qualquer precipitação expressiva para o Centro-Oeste nos próximos dias. "Ao longo do dia de hoje não tem previsão de chuva significativa para o país. Não tem acumulados que superem 5 milímetros ou até mesmo que tragam uma chuva agrícola", explicou a especialista. Na prática, isso significa que as lavouras da região não receberão reposição hídrica natural em curto prazo — um problema particularmente sensível para culturas em estágio vegetativo ou de desenvolvimento de grãos.
As poucas instabilidades previstas para o Brasil estão concentradas no litoral do Rio de Janeiro, Espírito Santo e em pontos isolados entre o Amazonas e o Acre — regiões distantes das principais zonas produtoras do estado. O Centro-Oeste, o Nordeste, o interior do Sudeste e partes do Norte seguem sob domínio do tempo seco.
Além do impacto direto nas lavouras, a combinação de calor extremo e baixa umidade representa risco concreto para a saúde humana. Em algumas localidades do Centro-Oeste, a umidade relativa do ar pode registrar índices inferiores a 20% — nível considerado de atenção pela Organização Mundial da Saúde. No Nordeste, há pontos onde esse índice pode cair abaixo de 12%. "É um tempo bastante seco mesmo e, para quem trabalha a céu aberto, quem trabalha no campo, é uma condição de alerta, que pode ser prejudicial à saúde", alertou Amanda Balbino.
Para os trabalhadores rurais de MS — que nesta época do ano estão envolvidos em operações de pré-plantio, manejo de pastagens e colheitas tardias —, as recomendações de hidratação frequente, uso de protetor solar e intervalos regulares sob sombra tornam-se ainda mais urgentes. Prefeituras e associações rurais de municípios como Dourados, Maracaju e Rio Brilhante, que concentram grande volume de mão de obra no campo, têm orientado trabalhadores sobre os cuidados durante ondas de calor.
MS é um dos maiores produtores de grãos e de proteína animal do Brasil, e o tempo seco fora de época impõe custos extras à cadeia produtiva. A disponibilidade de água nos rios e açudes que abastecem propriedades rurais tende a cair, pressionando sistemas de irrigação e elevando o consumo de energia. Na pecuária, a estiagem reduz a qualidade das pastagens e pode antecipar o confinamento de bovinos — estratégia que eleva custos de produção justamente quando o mercado de insumos ainda opera com preços pressionados.
A situação climática também afeta a qualidade do ar nas cidades do interior do estado. Em Campo Grande e em municípios do Cone Sul e do Bolsão, o ressecamento do ar combinado ao calor tem intensificado queixas respiratórias em unidades de saúde, segundo relatos de secretarias municipais. A orientação geral é aumentar a ingestão de líquidos, evitar atividades físicas intensas nos horários de pico de calor — entre as 10h e as 16h — e manter ambientes ventilados.
A previsão é de que esse padrão de tempo seco e quente persista ao longo da semana no Centro-Oeste, sem sinais de mudança expressiva até o próximo fim de semana, de acordo com os modelos meteorológicos acompanhados pela Ampere Consultoria.
Fontes: AMPERE CONSULTORIA