Casas Bahia fecha 5 lojas em MS após prejuízo de R$ 1 bi e demite até 3 mil

Rede encerrou unidades em Dourados, Campo Grande, Ponta Porã e Nova Andradina como parte de reestruturação que eliminou 298 lojas no país em dois dias.

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Casas Bahia fecha 5 lojas em MS após prejuízo de R$ 1 bi e demite até 3 mil
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A Casas Bahia fechou cinco unidades em Mato Grosso do Sul entre a quinta e a sexta-feira da semana passada — dias 13 e 14 de agosto de 2026 — como parte de uma reestruturação em escala nacional que retirou do mapa 298 lojas em menos de 48 horas. No estado, foram atingidas unidades em Nova Andradina, Ponta Porã, Campo Grande (no Shopping Bosque dos Ipês) e duas lojas em Dourados, a maior cidade do interior sul-mato-grossense. A decisão foi tomada após a companhia registrar prejuízo de R$ 1,064 bilhão no primeiro trimestre de 2026.

O corte representa quase 30% da rede nacional da Casas Bahia e expõe a profundidade da crise enfrentada pela varejista, que acumula dificuldades financeiras há pelo menos dois anos. A empresa tenta conter a sangria reduzindo sua estrutura física e adequando os custos operacionais a uma base de receita que não tem sustentado o tamanho da rede. Para os sul-mato-grossenses que dependiam dessas lojas — seja como clientes, seja como empregados —, o impacto é imediato e concreto.

Empregos perdidos em cidades do interior e da Capital

O fechamento das unidades em MS integra uma onda de demissões que, segundo o Valor Econômico, eliminou inicialmente cerca de 1,9 mil postos de trabalho em todo o Brasil. A estimativa da própria empresa é de que os cortes podem chegar a 3 mil funcionários até que o processo de reestruturação seja concluído. Em Mato Grosso do Sul, as lojas fechadas empregavam trabalhadores nas áreas de vendas, estoque, caixa e atendimento — perfis que encontram recolocação mais difícil em cidades menores como Nova Andradina e Ponta Porã do que em grandes centros.

O caso de Ponta Porã ilustra o peso humano da decisão corporativa: um funcionário que completou 21 anos na empresa lamentou publicamente o encerramento das atividades da loja local. Histórias como essa tendem a se repetir quando redes com décadas de presença regional encerram unidades de maneira abrupta, sem que os trabalhadores tenham sido consultados ou preparados para a transição.

298 lojas fechadas em dois dias: o que explica a dimensão do corte

A magnitude do fechamento — quase um terço da rede em menos de dois dias — revela que a decisão não foi tomada de improviso. Especialistas do setor varejista apontam que a Casas Bahia vinha mapeando há meses quais unidades operavam no vermelho e quais tinham potencial de recuperação. O resultado dessa análise foi o encerramento em bloco, estratégia que evita o gotejamento de más notícias ao mercado e tenta sinalizar controle da situação aos investidores.

O prejuízo de R$ 1,064 bilhão no primeiro trimestre de 2026 foi o gatilho formal. A companhia precisa mostrar ao mercado que tem capacidade de reverter o resultado operacional, e a redução acelerada do custo fixo — principalmente aluguel e folha de pessoal das lojas físicas — é o caminho mais rápido para melhorar o caixa no curto prazo. O problema é que a estratégia, quando executada nessa velocidade, deixa rastros sociais em dezenas de municípios brasileiros.

O que muda para consumidores e trabalhadores em MS

Para quem comprava nas lojas fechadas em Dourados, Campo Grande, Ponta Porã e Nova Andradina, a Casas Bahia deve direcionar o atendimento para os canais digitais e para as unidades físicas remanescentes na região. A empresa ainda opera em outras praças do país, mas a redução do número de lojas tende a aumentar o tempo de entrega e dificultar o atendimento pós-venda presencial — um ponto sensível em categorias como eletrodomésticos e eletrônicos, que demandam suporte técnico.

Para os trabalhadores demitidos em Mato Grosso do Sul, o caminho imediato é acionar os direitos trabalhistas — seguro-desemprego, FGTS e verbas rescisórias — e buscar recolocação via Funsat, em Campo Grande, ou nas agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine) nas demais cidades. O mercado de varejo no estado passa por reconfiguração, com a expansão de redes regionais e de lojas especializadas que podem absorver parte desses profissionais, mas o processo de transição raramente é rápido ou sem perdas de renda.

A reestruturação da Casas Bahia é também um sinal de alerta para o varejo físico brasileiro como um todo: redes que não conseguiram equilibrar a operação digital com a presença em loja estão pagando a conta de anos de expansão acelerada e endividamento. Em Mato Grosso do Sul, onde o consumo do interior depende fortemente de lojas físicas, o vazio deixado pela rede tende a ser preenchido — mas o prazo e por quem ainda é incerto.

Fontes: CASAS BAHIA, VALOR ECONÔMICO


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