Eleições 2026 registram recorde de candidaturas indígenas

Levantamento aponta 191 candidaturas indígenas em todo o país; Mato Grosso do Sul se destaca com nomes Guarani Kaiowá na disputa e candidato ao governo estadual

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As eleições gerais de 2026 marcaram um novo capítulo na participação dos povos originários na política brasileira. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 191 candidatos autodeclarados indígenas estão na disputa deste ano, o maior número registrado desde que a Justiça Eleitoral passou a incluir o recorte racial nas estatísticas, em 2014. 

Os candidatos representam mais de 60 povos indígenas diferentes e estão distribuídos por praticamente todo o território nacional. Segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), as candidaturas alcançam 26 unidades da Federação e refletem a diversidade cultural e territorial dos povos originários. 

A maior concentração de candidaturas está nas disputas proporcionais. São 99 candidatos a deputado estadual, 75 a deputado federal e três a deputado distrital. Também há representantes indígenas concorrendo aos cargos de senador, governador, vice-governador e suplente de senador. 

O crescimento da participação indígena nas eleições é expressivo quando comparado aos pleitos anteriores. Em 2014, foram registradas 85 candidaturas indígenas. O número subiu para 133 em 2018, alcançou 186 em 2022 e chegou a 191 em 2026, um aumento de 125% em doze anos. 

A disputa para a Câmara dos Deputados também bateu recorde. As 75 candidaturas indígenas para deputado federal representam o maior patamar da série histórica. Em 2014, havia apenas 25 candidatos indígenas na corrida por vagas na Casa legislativa. 

Entre os povos com maior número de representantes estão os Macuxi, com 13 candidaturas, seguidos pelos Guarani Kaiowá, com 12. Também aparecem entre os mais representados os povos Guaraní, Munduruku, Mura, Terena, Tupinambá e Wapichana. 

Mato Grosso do Sul figura entre os estados de destaque nesse avanço da representação indígena. O povo Guarani Kaiowá, um dos mais numerosos do estado, aparece como o segundo com maior número de candidaturas em todo o país, com 12 registros. Além disso, os dados apontam a presença de candidaturas indígenas do estado para diferentes cargos, incluindo Senado, Câmara dos Deputados e governo estadual. 

Um dos principais destaques sul-mato-grossenses é o professor Daniel Lemes (PCO), indígena da etnia Guarani-Kaiowá, candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul. Natural de Amambai, ele já disputou eleições para vereador, deputado estadual e prefeito, tornando-se um dos poucos candidatos indígenas ao comando de um estado brasileiro em 2026. Sua chapa tem como candidata a vice-governadora Silvia Benites, também indígena. 

Outro dado relevante é a participação feminina. Das 191 candidaturas indígenas registradas, 84 são de mulheres, o equivalente a cerca de 44% do total. O índice demonstra a consolidação da presença feminina indígena na política institucional brasileira. 

A Amazônia Legal concentra 80 candidaturas, o que corresponde a aproximadamente 42% dos registros nacionais. Ainda assim, a presença indígena nas eleições se espalha por todas as regiões do país, incluindo representantes de povos localizados nos biomas Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa. 

Para organizações indígenas, o crescimento do número de candidaturas representa o fortalecimento da participação dos povos originários nos espaços de decisão política e amplia a busca por representação em temas como demarcação de terras, preservação ambiental, saúde e educação indígena. 

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)


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