Muito antes de se tornar uma tendência global entre consumidores em busca de bebidas funcionais e naturais, a erva-mate já desempenhava papel central na história de Mato Grosso do Sul. Hoje, o produto ganha espaço em supermercados e cafeterias ao redor do mundo, enquanto mantém uma forte ligação com a cultura e a identidade do Estado.
A bebida, originária dos hábitos dos povos guaranis, é consumida há séculos na América do Sul e, atualmente, desperta interesse crescente em países da Europa, América do Norte e Ásia, impulsionada por suas propriedades estimulantes e antioxidantes.
Companhia Matte Laranjeira marcou a economia regional
A relação entre Mato Grosso do Sul e a erva-mate vai muito além do tradicional tereré. No final do século XIX e início do século XX, a Companhia Matte Laranjeira tornou-se uma das maiores empresas do Brasil ao explorar extensas áreas de ervais nativos no sul do então Mato Grosso.
A companhia recebeu concessões para atuar em vastas regiões da fronteira com o Paraguai e exerceu forte influência econômica, social e territorial. Durante décadas, a extração e comercialização da erva-mate foram as principais atividades econômicas da região, antecedendo a consolidação da pecuária e do agronegócio moderno.
Historiadores consideram que a atuação da empresa ajudou a impulsionar a ocupação do território, a abertura de rotas comerciais e o surgimento de diversos núcleos populacionais que mais tarde dariam origem a cidades sul-mato-grossenses.
Tereré é marca registrada do Estado
A influência da erva-mate permanece viva no cotidiano dos moradores de Mato Grosso do Sul. O tereré, preparado com água gelada, é consumido em residências, propriedades rurais, empresas e espaços públicos, sendo reconhecido como um dos símbolos culturais mais fortes do Estado.
A tradição foi herdada da convivência histórica com o Paraguai e reforçada pela presença dos antigos ervais da região. Mais do que uma bebida, o tereré representa convivência, amizade e identidade cultural para os sul-mato-grossenses.
Brasil está entre os líderes mundiais
Atualmente, apenas três países cultivam erva-mate em escala econômica relevante: Brasil, Argentina e Paraguai.
A Argentina lidera as exportações e registrou receita de aproximadamente US$ 117 milhões em 2025, estabelecendo um novo recorde para o setor.
O principal comprador continua sendo a Síria, um mercado cuja relação com a erva-mate remonta aos movimentos migratórios entre o Oriente Médio e a América do Sul. Mais de 60% das exportações argentinas têm como destino o país árabe.
Demanda cresce em vários continentes
O consumo mundial da erva-mate vem aumentando rapidamente. Nos últimos anos, o crescimento foi estimado em:
40% nos Estados Unidos
35% na Europa
50% na região Ásia-Pacífico.
Mercados como Japão, Austrália, Alemanha e França passaram a enxergar a erva-mate como uma bebida funcional associada ao bem-estar, à energia natural e à alimentação saudável.
Oportunidade para Mato Grosso do Sul
Especialistas apontam que o crescimento global da erva-mate pode criar novas oportunidades econômicas para Mato Grosso do Sul. Além do consumo tradicional, existe espaço para investimentos em industrialização, desenvolvimento de bebidas prontas, turismo cultural ligado ao tereré e valorização da história da cadeia ervateira no Estado.
Com raízes profundas na trajetória da antiga Companhia Matte Laranjeira e presença permanente na cultura regional, a erva-mate demonstra que um produto ligado à história sul-mato-grossense pode, cada vez mais, ganhar relevância no mercado internacional.
Do ciclo econômico que ajudou a formar cidades e impulsionar o desenvolvimento regional ao status atual de bebida global, a erva-mate continua escrevendo capítulos importantes da história de Mato Grosso do Sul.