MS tem déficit de 4,2 mi de toneladas em armazenagem e pressiona fretes

Mato Grosso do Sul aparece entre os cinco estados com maior gargalo de armazenagem do país, enquanto o BNDES bate recorde de financiamento para silos e armazéns.

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MS tem déficit de 4,2 mi de toneladas em armazenagem e pressiona fretes
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Mato Grosso do Sul acumula um déficit de armazenagem estimado em 4,2 milhões de toneladas de grãos — o quinto maior do Brasil —, segundo dados do IBGE e da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). O número coloca o estado em uma lista que inclui Mato Grosso, Goiás, Paraná e Bahia, todos pressionados pelo mesmo problema: a produção cresceu mais rápido do que a capacidade de guardar o que foi colhido.

O fenômeno não é novo, mas ganhou escala nas chamadas novas fronteiras agrícolas. Rondônia, por exemplo, consegue armazenar apenas 30% de tudo que produz. Maranhão fica em 45%, Pará em 46% e Tocantins em 49%. Todos ficam bem abaixo da média nacional, que já é considerada insuficiente: 65,2%. O líder absoluto do déficit em volume é Mato Grosso, com um buraco de 38,4 milhões de toneladas sem onde ser estocado.

Quando falta silo, o produtor vende na hora errada — e perde dinheiro

O impacto mais imediato da falta de armazéns não é apenas logístico: é financeiro. Sem espaço para estocar a safra, o produtor rural é forçado a vender os grãos logo após a colheita, exatamente quando a oferta no mercado está no pico e os preços tendem a cair. A flexibilidade de escolher o momento da venda — uma das maiores vantagens competitivas de quem tem armazenagem própria ou acesso a cooperativas bem estruturadas — simplesmente desaparece.

"O mapa do agronegócio brasileiro mudou nos últimos anos. A produção avançou para novas regiões em um ritmo que a infraestrutura ainda não conseguiu acompanhar. Em muitos casos, o gargalo já não está dentro da porteira, mas na capacidade de armazenar essa produção de forma eficiente", afirmou Laura Rodrigues, vice-presidente sênior da ADVISIA Investimentos. A análise resume um consenso que vem crescendo entre analistas do setor: o próximo ciclo de ganhos de produtividade no campo passa menos por sementes e tecnologia agrícola e mais por concreto, aço e estradas.

Fretes sobem até 25% durante o pico da safra em rotas de MS e Goiás

A pressão sobre a infraestrutura aparece de forma clara nos números de frete. De acordo com o Boletim Logístico da CONAB, durante o período de maior escoamento da soja, os fretes rodoviários em rotas estratégicas de Mato Grosso subiram cerca de 10% em um único mês. Em corredores de Goiás, a alta chegou a 25%. O efeito é simples: quando todos precisam transportar ao mesmo tempo porque não há onde armazenar, a demanda por caminhões explode — e os custos vão junto.

Para Mato Grosso do Sul, que divide com o Centro-Oeste boa parte dessas rotas de escoamento, o problema é especialmente relevante. O estado é grande produtor de soja, milho e cana, e já enfrenta historicamente limitações nas ferrovias e nos corredores rodoviários que ligam o interior aos portos. "Infraestrutura deixou de ser apenas um suporte operacional e passou a ser um fator determinante para a competitividade do agro", completou Rodrigues.

BNDES bate recorde e setor privado é chamado a acelerar expansão

O cenário começa a movimentar o mercado de capitais. Na safra 2024/25, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 2,6 bilhões em financiamentos destinados à construção e ampliação de armazéns e silos — o maior volume desde que a série histórica foi iniciada, em 2013, e 32% acima do registrado na temporada anterior. O número é expressivo, mas analistas do setor avaliam que ainda é insuficiente diante da velocidade com que a produção avança.

A ADVISIA Investimentos defende que cooperativas e investidores privados precisam se aproximar para viabilizar novos projetos sem onerar demais as organizações do campo. "O próximo ciclo de desenvolvimento do agronegócio brasileiro depende de conectar produção e infraestrutura. O país já demonstrou capacidade para ampliar a oferta de alimentos. Agora, será cada vez mais importante garantir que essa produção possa ser armazenada, transportada e comercializada com eficiência", disse Thales Souza, vice-presidente de M&A da ADVISIA. Para MS, onde o agronegócio responde por fatia relevante do PIB estadual, a corrida por armazéns não é detalhe — é condição para manter a competitividade nas próximas safras.

Fontes: IBGE, CONAB, BNDES, ADVISIA INVESTIMENTOS


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