As escolas municipais de Corumbá encerraram um ciclo de estagnação e voltaram a avançar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB): a nota 5,2 obtida na edição de 2025 para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental empata com o melhor desempenho já registrado pelo município, alcançado pela última vez em 2019. Nos dois ciclos anteriores — 2021 e 2023 — a rede havia estacionado em 4,7, sinalizando que algo precisava mudar na sala de aula e na gestão das escolas.
O salto de 0,5 ponto em dois anos não veio de esforço isolado. A Secretaria Municipal de Educação estruturou o programa Educa REME justamente para atacar essa paralisia, combinando diagnósticos periódicos, metas por escola, intervenções pedagógicas direcionadas e formação continuada de professores, coordenadores e diretores. É esse conjunto de ações que autoridades municipais apontam como responsável pela virada.
O IDEB sozinho não conta toda a história. Os microdados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) mostram que a nota média padronizada da rede saltou de 5,05 em 2023 para 5,53 em 2025, refletindo avanços simultâneos em Língua Portuguesa e em Matemática — as duas competências que compõem o cálculo do índice. Ou seja, a melhora não foi puxada por uma única disciplina nem concentrada em poucas escolas de elite dentro da rede.
A secretária municipal de Educação, Elizama Medina de Ávila, ressaltou que o resultado é produto de uma mudança de cultura interna. "O IDEB é consequência de um trabalho contínuo. Esse crescimento demonstra o empenho dos nossos professores, gestores, coordenadores pedagógicos, servidores, estudantes e famílias. O Educa REME fortaleceu nossa capacidade de acompanhar cada escola de forma mais próxima, utilizando os dados para orientar as ações pedagógicas", afirmou a secretária, acrescentando que o compromisso agora é seguir avançando, não celebrar e parar.
Antes do programa, o acompanhamento pedagógico das unidades escolares era esporádico. Com o Educa REME, equipes técnicas da secretaria passaram a fazer visitas sistemáticas, analisar resultados de avaliações diagnósticas e construir, junto com cada gestão escolar, estratégias específicas para recompor defasagens de aprendizagem. A palavra-chave do modelo é granularidade: em vez de metas genéricas para a rede inteira, cada escola recebe um plano de ação baseado nos seus próprios indicadores.
A produção de materiais orientadores e a formação continuada fecham o ciclo: professores passaram a ter insumos pedagógicos mais precisos para planejar aulas voltadas às habilidades que os estudantes ainda não haviam consolidado em cada etapa. O resultado por unidade escolar confirma o alcance da estratégia — praticamente toda a rede apresentou crescimento em relação à avaliação anterior, e não apenas as escolas que já tinham desempenho elevado.
Há um ponto sensível nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP): o IDEB consolidado dos Anos Finais do Ensino Fundamental não foi calculado para Corumbá nesta edição. A razão é técnica — o índice municipal é apurado apenas com base nas escolas urbanas, mas as unidades corumbaenses que participaram da avaliação nessa etapa em 2025 ficam na zona rural, o que as exclui do cálculo agregado do município.
Isso não significa que essas escolas ficaram sem dados: cada uma recebeu seu resultado individual, que servirá de base para o planejamento pedagógico de 2026. Para o prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira, o avanço nos Anos Iniciais já basta para sinalizar o caminho. "O resultado do IDEB é uma conquista de toda a Rede Municipal de Ensino. Seguiremos trabalhando para fortalecer a educação pública, oferecendo as condições necessárias para que esse avanço continue acontecendo e beneficie cada vez mais os nossos alunos", disse o prefeito.
Para Corumbá — cidade pantaneira que concentra desafios socioeconômicos acima da média do estado, incluindo alta taxa de alunos em situação de vulnerabilidade — atingir 5,2 no IDEB tem peso maior do que o número sugere à primeira vista. O município ainda precisa superar a lacuna dos Anos Finais e tornar o índice dos Anos Iniciais sustentável nas próximas edições, mas a quebra da estagnação em 2025 representa, pelo menos, a prova de que a metodologia adotada funciona no contexto local.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ, INEP