Aquidauana e Anastácio ganham operação contínua contra maus-tratos a animais

Ação policial nasceu após resgate de pastor-alemão amarrado e sem comida; caso da filhote Ester, chutada pela tutora, motivou a criação da força-tarefa

Por
Aquidauana e Anastácio ganham operação contínua contra maus-tratos a animais
Globetrotter19/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul transformou uma sequência de resgates de cães maltratados em Aquidauana em um serviço permanente de combate a maus-tratos contra animais. A operação, batizada de Quebrando o Silêncio, teve sua primeira ação concreta nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, quando um pastor-alemão foi encontrado acorrentado, sem água nem comida adequadas, dentro de uma casa no Bairro Chapecoense. O tutor do animal foi preso em flagrante por maus-tratos.

A criação de uma frente fixa de investigação — e não apenas o atendimento pontual de denúncias — marca uma mudança na forma como a corporação passa a tratar o tema nos dois municípios do Pantanal sul-mato-grossense. A decisão veio depois que, em um intervalo curto de dias, a polícia precisou atuar em pelo menos três casos distintos de animais em situação de sofrimento em Aquidauana, incluindo um episódio que viralizou nas redes sociais.

Cão bebia água sem parar havia minutos, diz polícia

Segundo o relato da Polícia Civil, os policiais foram até o imóvel após receberem uma denúncia formal que descrevia exatamente o que encontraram: um pastor-alemão preso por correntes, emagrecido e sem acesso regular a alimento. Moradores da vizinhança relataram ainda que, pela fome, o cão teria sido visto comendo as próprias fezes.

Ao oferecerem água ao animal durante o atendimento, os agentes viram o cão beber ininterruptamente por mais de dois minutos — um detalhe que, para a corporação, reforçou os indícios de privação prolongada. O tutor recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, enquanto o pastor-alemão foi encaminhado ao Centro de Controle de Zoonoses de Aquidauana para avaliação veterinária e exames.

Caso da filhote Ester foi estopim da mobilização

A criação da operação permanente tem origem em um episódio anterior que chocou moradores de Aquidauana: o resgate da filhote Ester, de apenas 50 dias, flagrada em vídeo sendo chutada pela própria tutora. A gravação, publicada pela própria autora do ato nas redes sociais, gerou repercussão imediata e resultou na prisão de Maria Gabriela Servantes Pereira, de 30 anos.

Dias depois, um terceiro caso reforçou a necessidade de uma resposta estruturada: um cão da raça pug foi resgatado debilitado, com lesão na cabeça e infestação por parasitas, e precisou ser internado em clínica veterinária para tratamento. Com os três episódios em sequência, a Polícia Civil optou por manter equipes de forma integrada entre Aquidauana e Anastácio, com o objetivo de identificar outros animais em situação semelhante e dar continuidade ao atendimento de denúncias que antes eram tratadas caso a caso.

Fontes: POLÍCIA CIVIL DE MATO GROSSO DO SUL; FOLHA MS


Tags »
Notícias Relacionadas »