A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul transformou uma sequência de resgates de cães maltratados em Aquidauana em um serviço permanente de combate a maus-tratos contra animais. A operação, batizada de Quebrando o Silêncio, teve sua primeira ação concreta nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, quando um pastor-alemão foi encontrado acorrentado, sem água nem comida adequadas, dentro de uma casa no Bairro Chapecoense. O tutor do animal foi preso em flagrante por maus-tratos.
A criação de uma frente fixa de investigação — e não apenas o atendimento pontual de denúncias — marca uma mudança na forma como a corporação passa a tratar o tema nos dois municípios do Pantanal sul-mato-grossense. A decisão veio depois que, em um intervalo curto de dias, a polícia precisou atuar em pelo menos três casos distintos de animais em situação de sofrimento em Aquidauana, incluindo um episódio que viralizou nas redes sociais.
Segundo o relato da Polícia Civil, os policiais foram até o imóvel após receberem uma denúncia formal que descrevia exatamente o que encontraram: um pastor-alemão preso por correntes, emagrecido e sem acesso regular a alimento. Moradores da vizinhança relataram ainda que, pela fome, o cão teria sido visto comendo as próprias fezes.
Ao oferecerem água ao animal durante o atendimento, os agentes viram o cão beber ininterruptamente por mais de dois minutos — um detalhe que, para a corporação, reforçou os indícios de privação prolongada. O tutor recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, enquanto o pastor-alemão foi encaminhado ao Centro de Controle de Zoonoses de Aquidauana para avaliação veterinária e exames.
A criação da operação permanente tem origem em um episódio anterior que chocou moradores de Aquidauana: o resgate da filhote Ester, de apenas 50 dias, flagrada em vídeo sendo chutada pela própria tutora. A gravação, publicada pela própria autora do ato nas redes sociais, gerou repercussão imediata e resultou na prisão de Maria Gabriela Servantes Pereira, de 30 anos.
Dias depois, um terceiro caso reforçou a necessidade de uma resposta estruturada: um cão da raça pug foi resgatado debilitado, com lesão na cabeça e infestação por parasitas, e precisou ser internado em clínica veterinária para tratamento. Com os três episódios em sequência, a Polícia Civil optou por manter equipes de forma integrada entre Aquidauana e Anastácio, com o objetivo de identificar outros animais em situação semelhante e dar continuidade ao atendimento de denúncias que antes eram tratadas caso a caso.
Fontes: POLÍCIA CIVIL DE MATO GROSSO DO SUL; FOLHA MS