Corumbá vai soltar mosquitos com Wolbachia contra a dengue em outubro

Método já reduziu 63% dos casos de dengue em Campo Grande; Corumbá inicia liberações em 11 bairros a partir de outubro de 2026

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Corumbá vai soltar mosquitos com Wolbachia contra a dengue em outubro
Divulgação/PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ

Corumbá vai passar a soltar, a partir de outubro de 2026, mosquitos Aedes aegypti carregados com a bactéria Wolbachia em 11 bairros da cidade, numa tentativa de reduzir os casos de dengue, zika e chikungunya que se repetem todos os anos no município. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (23) durante reunião do Comitê de Combate às Arboviroses, no auditório do Paço Municipal, que reuniu gestores da saúde para apresentar como a técnica vai funcionar na prática.

A ideia por trás do método é simples de entender, mas leva meses para ser colocada em prática: a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em insetos como abelhas e libélulas, quando introduzida no Aedes aegypti, dificulta a multiplicação dos vírus que ele transmite. Não há modificação genética envolvida, e a bactéria não representa risco à saúde humana — o que muda é a capacidade do próprio mosquito de espalhar doença. Uma vez estabelecida, a Wolbachia passa de geração em geração pela reprodução dos insetos, o que torna a estratégia autossustentável e dispensa reaplicações constantes.

Resultado em Campo Grande vira referência para Corumbá

O município já tem um parâmetro dentro do próprio Estado: em Campo Grande, os primeiros resultados da tecnologia apontaram queda de 63% nos casos de dengue depois da implantação do método, segundo dados apresentados pelo comitê corumbaense. Em Niterói (RJ), onde a técnica foi aplicada há mais tempo, a redução chegou a 89%. São números que embasam a decisão de trazer a tecnologia, usada no Brasil há mais de uma década, também para a fronteira com a Bolívia.

"Será uma estratégia muito importante para Corumbá, porque todos sabem que sofremos todos os anos principalmente com a dengue e, recentemente, tivemos muitos casos de chikungunya. O método será um novo aliado nesse combate, mas, para isso, precisamos muito da conscientização da população, de entender a tecnologia e apoiar as soltas", afirmou a secretária municipal de Saúde.

Como vai funcionar a soltura nos bairros

A liberação dos mosquitos vai ocorrer de forma gradual e monitorada, com veículos circulando pelas manhãs, uma vez por semana, pelas ruas dos bairros selecionados: Nossa Senhora de Fátima, Universitário, Centro América, Popular Velha, Arthur Marinho, Jardim dos Estados, Popular Nova, Aeroporto, Nova Corumbá, Maria Leite e Guarani. O cronograma previsto é de cerca de 26 semanas, o equivalente a seis meses de soltas contínuas.

Cerca de um mês depois do início das liberações, a Secretaria Municipal de Saúde vai começar a monitorar a presença da Wolbachia no ambiente, com armadilhas chamadas ovitrampas, usadas para coletar ovos de mosquitos e verificar se a bactéria está mesmo se fixando na população local de Aedes aegypti. Serão nove ciclos de coleta, que devem seguir mesmo depois de encerrada a fase de soltura. O município também vai montar um núcleo de eclosão, estrutura onde cápsulas com ovos passarão pelo ciclo de desenvolvimento até a fase adulta antes de irem para as ruas.

Para a gerente de Vigilância em Saúde, Walkíria Arruda da Silva, a mudança altera a própria lógica do combate ao mosquito. "O que antes era um vetor de doença, agora passa a ser um aliado da saúde pública. Já capacitamos os agentes de endemias, porque existe uma metodologia muito robusta de monitoramento, e estamos adaptando o CCZ para receber os materiais", explicou. A prefeitura reforça que a Wolbachia não substitui a eliminação de criadouros, que segue sendo a base da prevenção contra o Aedes aegypti.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ


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