Gestores e profissionais de três secretarias municipais de Corumbá participaram, na última sexta-feira (31), de uma roda de conversa voltada a qualificar o atendimento à população trans no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro, realizado no Centro de Convenções do Pantanal, reuniu representantes das secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social e Cidadania para discutir como o município pode organizar e aprimorar o acesso ao Processo Transexualizador — conjunto de procedimentos médicos e sociais garantidos pelo SUS às pessoas trans.
A iniciativa reflete um movimento mais amplo de qualificação dos serviços públicos voltados à população LGBTQIA+ em Mato Grosso do Sul. Com a presença de especialistas vindos de Campo Grande, o evento colocou Corumbá no circuito das cidades que buscam estruturar, na prática, o que a legislação federal já garante em teoria: o acesso integral e humanizado ao Processo Transexualizador pela rede pública de saúde.
A programação abordou desde o fluxograma de atendimento e as formas de acolhimento até os encaminhamentos internos, a regulação dos serviços e o acompanhamento contínuo dos usuários dentro da Rede de Atenção à Saúde. A proposta foi justamente eliminar lacunas que, na rotina dos serviços públicos, acabam criando barreiras invisíveis para quem busca atendimento.
A assistente social Patrícia Ferreira da Silva, representante do Núcleo do Processo Transexualizador do HUMAP/UFMS/HUBRASIL, esteve à frente das orientações técnicas. O encontro também contou com a participação da subsecretária de Políticas Públicas para LGBT de Mato Grosso do Sul, Mikaela Lima, e do assessor Luan Henrique de Souza, ambos de Campo Grande. A presença de representantes estaduais reforça a articulação entre as esferas municipal e estadual no atendimento a essa população.
Um dos pontos centrais da roda de conversa foi justamente a intersecção entre as três secretarias envolvidas. O atendimento a pessoas trans frequentemente demanda ações coordenadas que vão além da saúde stricto sensu — envolvem suporte social, acesso à educação sem discriminação e acompanhamento psicossocial. Trabalhar essas frentes de forma integrada é o que distingue um atendimento efetivo de um encaminhamento que simplesmente empurra o usuário de porta em porta.
O espaço também serviu para sanar dúvidas das equipes e alinhar procedimentos que, muitas vezes, variam de unidade para unidade por falta de orientação padronizada. Esse tipo de alinhamento interno tende a reduzir o tempo que o usuário leva para conseguir atendimento e diminui a chance de desistência no processo — um problema recorrente relatado por organizações de saúde que acompanham a população trans.
Para uma cidade de fronteira como Corumbá, que recebe fluxo constante de pessoas vindas da Bolívia e de municípios do entorno pantaneiro, estruturar um atendimento qualificado para a população trans tem impacto direto sobre quem depende exclusivamente do SUS. A região conta com poucos pontos de referência especializados, e iniciativas como essa são fundamentais para que o município não se torne apenas um ponto de triagem, mas um efetivo prestador do serviço.
A expectativa, após o encontro, é que os procedimentos discutidos sejam incorporados à rotina das equipes e que Corumbá avance na criação de um fluxo municipal estruturado — reduzindo a dependência exclusiva de serviços centralizados em Campo Grande e ampliando o acesso para quem vive a centenas de quilômetros da capital.
Fontes: PREFEITURA DE CORUMBÁ