O monumento Cristo Rei do Pantanal, em Corumbá, foi iluminado na cor lilás na noite do último sábado, 1º de agosto, marcando a abertura oficial do Agosto Lilás — mês nacional dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher. O ato reuniu autoridades municipais e membros da rede de proteção local e ganhou uma dimensão ainda mais carregada diante da comoção causada pela morte de Adrielly Encarnação, 26 anos, vítima de feminicídio nos dias que antecederam a cerimônia.
A data não é simbólica por acaso. O Agosto Lilás foi criado pela Lei Federal nº 14.448, de 2022, justamente para coincidir com o mês em que a Lei Maria da Penha foi sancionada, em 7 de agosto de 2006 — legislação que, em 2026, completa 20 anos de vigência. Duas décadas depois, casos como o de Adrielly mostram que a luta está longe de encerrada.
A gerente de Políticas Públicas para as Mulheres do município, Wânia Alecrim, foi direta ao mencionar o caso durante a cerimônia de abertura. Segundo ela, o assassinato da jovem corumbaense reforça "a necessidade de ampliar as ações de prevenção e proteção" e exige reflexão sobre o funcionamento integrado dos órgãos responsáveis. A gestora prestou solidariedade à família de Adrielly e defendeu que a mobilização da sociedade — vizinhos, familiares e pessoas próximas às vítimas — é indispensável para romper ciclos de violência antes que cheguem ao pior desfecho.
Wânia destacou que Corumbá já conta com uma estrutura de atendimento especializado, que inclui a Patrulha Maria da Penha, a Sala Lilás e articulação direta com as forças de segurança. Ainda assim, frisou que esses recursos só funcionam quando a denúncia chega — e que muitas vítimas permanecem em silêncio por medo ou isolamento.
Representando o prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira na cerimônia, o secretário municipal de Assistência Social e Cidadania, Alexandre Ohara, defendeu uma mudança de perspectiva sobre o tema. "A violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema da esfera privada, mas como uma violação de direitos humanos que exige atuação permanente do poder público e participação da sociedade", afirmou.
Ohara também enfatizou a necessidade de integração entre assistência social, saúde, educação, segurança pública, sistema de Justiça e organizações da sociedade civil. Para ele, a rede municipal precisa garantir acolhimento, orientação e acesso a serviços que permitam às mulheres em situação de violência romper o ciclo de agressões e reconstruir sua autonomia — e não apenas registrar boletins de ocorrência.
Coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, a programação do Agosto Lilás em Corumbá prevê palestras, atividades educativas e ações de orientação sobre mecanismos de proteção e canais de denúncia ao longo de todo o mês. A proposta é levar informação para além dos espaços institucionais, alcançando comunidades onde o acesso à rede de atendimento ainda é limitado.
O Ligue 180, central nacional de atendimento à mulher em situação de violência, e o 190 da Polícia Militar seguem como os principais canais de denúncia disponíveis 24 horas por dia. Em Corumbá, a Sala Lilás e a Patrulha Maria da Penha também recebem demandas diretamente. A morte de Adrielly Encarnação, porém, serve de alerta: o sistema só funciona quando acionado a tempo — e cabe à comunidade não esperar.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ