Diante de um cenário epidemiológico preocupante, a Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá reuniu, nos dias 27 e 30 de julho, cerca de 70 profissionais de saúde de diferentes instituições da região para uma capacitação técnica sobre Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — doença que já vitimou nove pessoas em Corumbá e somou 244 casos confirmados no município até a Semana Epidemiológica 29 deste ano.
Os números locais acompanham uma tendência estadual alarmante: Mato Grosso do Sul registrou, no mesmo período, 5.341 casos de SRAG e 407 óbitos, segundo dados da Vigilância Epidemiológica apresentados durante o encontro. A resposta das equipes de saúde à doença, especialmente nos serviços de urgência e emergência, foi identificada como ponto crítico para reduzir a mortalidade — razão pela qual a capacitação foi organizada de forma urgente.
O médico emergencista Anderson Soares abriu a programação apresentando as diretrizes mais recentes para o manejo clínico da SRAG, com ênfase no diagnóstico precoce e nas condutas padronizadas para casos graves. A intenção foi garantir que todos os serviços da região — independentemente de serem públicos, militares ou conveniados — atuem de forma coordenada ao receber um paciente com comprometimento respiratório severo.
Participaram do encontro profissionais da Rede Municipal de Urgência e Emergência de Corumbá, do Hospital Naval de Ladário, da Santa Casa de Corumbá, da Secretaria Municipal de Saúde de Ladário e do Hospital Cassems de Corumbá. A reunião de equipes de instituições tão distintas em torno do mesmo protocolo foi destacada pelos organizadores como um avanço na integração regional da rede de saúde pantaneira.
Um dos momentos mais estratégicos da capacitação foi a apresentação do Elyvelton da Silva, coordenador do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS/Fronteira). Ele detalhou o sistema de monitoramento epidemiológico ativo no município, que inclui detecção precoce de eventos de saúde pública, investigação de casos suspeitos e fluxos de comunicação entre os serviços — estrutura fundamental para uma cidade localizada na fronteira com a Bolívia, onde o trânsito intenso de pessoas amplia o risco de dispersão de doenças respiratórias.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Mariângela Capurro de Paula, complementou a programação com o panorama detalhado dos dados regionais e estaduais, reforçando a necessidade de qualificação contínua das equipes para que os números de internações e óbitos possam ser contidos nas próximas semanas epidemiológicas.
O coordenador da Rede de Frios, Wangley Bento, encerrou a parte técnica apresentando o portfólio de imunizantes disponíveis para prevenção das principais doenças respiratórias. Ele detalhou os públicos contemplados por cada vacina e reforçou as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação, ressaltando que manter a cobertura vacinal em dia é uma das ferramentas mais eficazes para evitar que casos simples evoluam para quadros graves com necessidade de internação em UTI.
A capacitação foi organizada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), em articulação com o CIEVS/Fronteira, a Vigilância Epidemiológica, a Rede de Frios e a Coordenação da Rede de Urgência e Emergência. A iniciativa reflete uma estratégia que ganha cada vez mais espaço na saúde pública: investir na formação contínua dos profissionais que já estão na linha de frente, sem esperar que a situação epidemiológica se agrave ainda mais antes de agir.
Fontes: SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CORUMBÁ, CIEVS/FRONTEIRA