Queda de cabelo pode acompanhar uso de canetas emagrecedoras, apontam especialistas

Emagrecimento acelerado e restrição calórica estão entre os principais fatores associados ao problema

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A popularização de medicamentos para perda de peso, como os agonistas de GLP-1 utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, trouxe um novo alerta entre médicos e pacientes: a queda acentuada de cabelo durante o processo de emagrecimento. Embora muitos usuários associem o problema diretamente aos medicamentos, especialistas afirmam que o principal gatilho costuma ser a rápida redução de peso e as mudanças metabólicas provocadas pelo tratamento. 

O tema ganhou reforço após uma pesquisa conduzida pela Universidade George Washington, nos Estados Unidos, que analisou dados de aproximadamente 550 mil pessoas e identificou uma associação entre o uso desses medicamentos e o aumento do risco de queda capilar. Os pesquisadores observaram que, na maior parte dos casos, o fenômeno está relacionado às consequências fisiológicas do emagrecimento acelerado, e não a um efeito tóxico direto das medicações sobre os folículos capilares. 

O que acontece com o organismo

Segundo especialistas, quando há uma redução brusca na ingestão de calorias, o organismo entra em modo de adaptação e passa a priorizar funções consideradas essenciais para a sobrevivência, como a atividade cerebral, cardíaca e renal. Nesse cenário, processos menos prioritários, como o crescimento dos fios de cabelo, podem ser temporariamente interrompidos. 

O quadro mais comum é conhecido como eflúvio telógeno, condição caracterizada por uma queda intensa e difusa dos fios. Apesar do impacto visual e emocional para muitos pacientes, o problema geralmente é temporário e tende a melhorar conforme o peso corporal se estabiliza. 

Os pesquisadores também identificaram situações em que o emagrecimento pode acelerar a manifestação da alopecia androgenética, condição genética responsável pela calvície em homens e mulheres. 

Velocidade da perda de peso influencia

De acordo com médicos especializados em saúde capilar, existe uma relação direta entre a velocidade do emagrecimento e a intensidade da queda dos fios. Quanto mais rápida for a perda de peso, maiores tendem a ser os impactos sobre o ciclo capilar. 

A preocupação tem se tornado frequente nos consultórios. Profissionais da área relatam aumento significativo nas queixas de afinamento capilar e queda intensa entre pacientes que fazem uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente aqueles submetidos a dietas muito restritivas ou perdas expressivas de peso em curtos períodos. 

Como reduzir o risco

Especialistas destacam que algumas medidas podem ajudar a minimizar o problema durante o tratamento. Entre as recomendações estão manter uma alimentação rica em proteínas, evitar emagrecimento excessivamente acelerado, monitorar níveis de vitaminas e minerais e realizar acompanhamento médico e nutricional ao longo de todo o processo. 

Também é importante evitar ajustes de dose sem orientação profissional, já que aumentos inadequados podem potencializar tanto a perda de peso quanto os efeitos associados ao estresse metabólico. 

Suspender o tratamento não costuma ser a solução

Especialistas ressaltam que interromper o uso do medicamento nem sempre resolve o problema. Uma vez desencadeado, o eflúvio telógeno costuma seguir seu ciclo natural até que o organismo retorne ao equilíbrio. Por isso, qualquer decisão sobre continuidade ou suspensão do tratamento deve ser tomada em conjunto com o médico responsável. 

Os pesquisadores destacam que os benefícios metabólicos e cardiovasculares proporcionados pelos medicamentos permanecem relevantes quando há indicação clínica adequada. A orientação é que os pacientes sejam informados previamente sobre a possibilidade da queda de cabelo e recebam acompanhamento individualizado durante o processo de emagrecimento. 


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