A Embraer encerrou o primeiro semestre de 2026 com números que consolidam sua posição entre os gigantes da aviação mundial: foram 109 aeronaves entregues — 20% a mais do que no mesmo período do ano anterior — e uma carteira de pedidos que chegou a US$ 34,5 bilhões, o sétimo recorde consecutivo da companhia, com crescimento de 16% na comparação anual. Os dados foram divulgados pela fabricante brasileira nesta sexta-feira, 24 de julho, como parte do balanço trimestral.
O resultado coloca a Embraer — terceira maior fabricante de aviões do planeta — em ritmo acelerado em relação às próprias metas. O volume entregado até junho representa 42% da meta anual, que prevê entre 240 e 255 aeronaves ao longo de 2026. Historicamente, a empresa costuma atingir apenas 34% do objetivo nesse intervalo de tempo, o que torna o desempenho deste semestre ainda mais expressivo.
Se o semestre já impressiona, o segundo trimestre — de abril a junho — foi o responsável por sustentar boa parte dessa performance. Nos três meses, a Embraer entregou 65 aeronaves, um salto de 48% em relação ao primeiro trimestre e de 7% frente ao mesmo período de 2025. Na aviação comercial, foram 30 aviões entregues no trimestre, alta de 15% no comparativo anual. Metade dessas entregas — 15 unidades — foi do modelo E195-E2, o maior avião produzido pela fabricante.
No segmento executivo, o crescimento foi de 18%, com 45 jatos entregues entre abril e junho. Para o ano completo, a empresa projeta entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais — acima das 78 de 2025 — e entre 160 e 170 jatos executivos, frente às 155 do ano passado, em ambos os casos com crescimento estimado de 6%.
No setor militar, não houve entregas no segundo trimestre, mas a Embraer fechou um contrato que deve figurar nos livros de recordes da empresa: a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos adquiriu o cargueiro tático C-390 Millennium, em um acordo com 10 pedidos firmes e 10 opções de compra. A companhia classificou o negócio como "o maior pedido internacional já realizado por um único país" para essa aeronave, além de marcar a estreia do C-390 no mercado do Oriente Médio — uma das regiões que mais investe em modernização de frotas militares no mundo atualmente.
A entrada no mercado árabe abre uma frente estratégica relevante para a Embraer, que busca ampliar a presença do C-390 além dos clientes tradicionais europeus e latino-americanos. Com pedidos já confirmados por países como Portugal, Hungria, República Tcheca e Áustria, o avião de transporte militar desponta como um dos produtos mais ambiciosos da fabricante para a próxima década.
O avanço da Embraer tem impacto direto na economia brasileira. A companhia, com sede em São José dos Campos (SP) e operações espalhadas pelo país, é uma das maiores exportadoras industriais do Brasil e emprega dezenas de milhares de trabalhadores na cadeia aeronáutica nacional. O crescimento da carteira de pedidos sinaliza mais investimentos, mais empregos e mais divisas para o país nos próximos anos.
Para Mato Grosso do Sul, o desempenho da fabricante reverbera no contexto da aviação regional: o estado tem ampliado conexões aéreas em cidades como Campo Grande, Dourados e Corumbá, e parte da frota que opera essas rotas é composta por aeronaves da própria Embraer, especialmente os modelos da família E-Jets. Uma Embraer mais forte e com maior carteira de pedidos significa mais aeronaves no mercado, potencial redução de custos para as companhias aéreas e, no horizonte, melhores condições para ampliar a malha regional no interior do país.
Com sete recordes consecutivos de carteira e um ritmo de entregas acima da média histórica, a Embraer entra no segundo semestre de 2026 com folga para superar suas próprias projeções — e reafirmar, mais uma vez, que a indústria aeronáutica brasileira é capaz de competir no mais alto nível global.
Fontes: EMBRAER, AGÊNCIA EFE