O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu nesta terça-feira, 1º de setembro, alerta laranja de perigo para tempestades em áreas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com previsão de chuva entre 30 e 60 mm por hora — podendo chegar a 100 mm em 24 horas — além de rajadas de vento de até 100 km/h e risco de queda de granizo. O aviso entrou em vigor a partir do meio-dia e cobre regiões densamente habitadas e economicamente estratégicas para o agronegócio sul-mato-grossense.
Para quem mora em Mato Grosso do Sul, o alerta pode parecer distante no mapa, mas as conexões são concretas: voos de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas com escala em Guarulhos, Congonhas ou Galeão passam exatamente pelas áreas afetadas. Além disso, a principal rota terrestre de exportação da soja e da carne produzidas em MS — o corredor que segue pela Rodovia Marechal Rondon até o porto de Santos — cruza o coração do cinturão de instabilidade previsto para os próximos dias.
O Inmet aponta que as áreas de instabilidade se concentram, nesta quarta-feira (2 de setembro), entre o nordeste de Minas Gerais e o centro-norte do Espírito Santo, com pancadas de chuva e trovoadas especialmente à tarde e à noite. No dia anterior, as regiões mais atingidas incluem o Triângulo Mineiro, sul e sudoeste de Minas, Zona da Mata, Campinas, Ribeirão Preto, Araraquara, Piracicaba e o Vale do Paraíba Paulista — corredor logístico por onde circulam caminhões carregados de produtos do agro de MS.
O risco vai além da chuva em si: o Inmet lista cortes de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos como consequências possíveis. Frigoríficos e tradings que operam no interior de São Paulo e recebem cargas vindas de Mato Grosso do Sul podem registrar atrasos nas operações ao longo da semana. Na quinta-feira (3 de setembro), as instabilidades perdem força, mas ainda persiste chance de chuva isolada no centro e norte de Minas e no norte do Rio de Janeiro, enquanto o Inmet prevê formação de névoa úmida no leste paulista e fluminense.
Além das tempestades, o episódio vem acompanhado de queda brusca de temperatura — incomum para o início de setembro, quando o calor já deveria estar se firmando. São Paulo registrará mínima de 9°C na manhã de quinta-feira e máxima de apenas 18°C nesta terça; Belo Horizonte amanhece com 12°C na quinta e chega a 27°C à tarde. O contraste térmico acentuado entre a massa de ar frio que ainda atua sobre o sul do continente e o calor residual do litoral é justamente o combustível que alimenta as tempestades mais intensas.
Para quem vai viajar de MS ao Sudeste nos próximos dias, especialistas recomendam monitorar os alertas do Inmet em tempo real, verificar o status dos voos com antecedência e evitar, se possível, deslocamentos rodoviários noturnos pelas rodovias que cortam o interior paulista e mineiro durante os picos de instabilidade previstos para a tarde e a noite de quarta-feira.
O cenário climático traz preocupações pontuais para o escoamento da produção sul-mato-grossense. O corredor entre Campo Grande e o Porto de Santos, principal saída para exportações de soja, milho e carne bovina, passa por Campinas e pelo interior paulista — área sob alerta laranja. Transportadoras que operam esse trecho já monitoram a situação para decidir sobre janelas de viagem mais seguras.
A boa notícia vem do próprio Inmet: a previsão indica que o interior de São Paulo deve ter tempo ensolarado e com poucas nuvens a partir de quarta-feira, o que pode preservar o trecho final da rota até Santos. O pior cenário de chuva se concentra nas regiões serranas e no litoral, o que reduz — mas não elimina — o risco logístico para o agro de MS nesta semana. A tendência, segundo o instituto, é de normalização gradual das condições até o fim de semana.
Fontes: INMET