O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu nesta segunda-feira (27) alerta vermelho de grande perigo para o Rio Grande do Sul, prevendo acumulados superiores a 100 milímetros de chuva em 24 horas e rajadas de vento que podem chegar a 100 km/h — quadro que se estende até o encerramento desta terça-feira (28) e preocupa tanto moradores quanto o setor agropecuário gaúcho, ainda vulnerável após dias seguidos de precipitações intensas.
O episódio chega em um momento crítico: segundo o balanço mais recente da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, quase 60 mil pessoas já foram afetadas por eventos meteorológicos no estado, espalhadas por 218 municípios. Com o solo encharcado e os rios acima do nível habitual, qualquer novo volume expressivo de chuva eleva o risco de inundações e enxurradas de forma exponencial.
A Defesa Civil gaúcha concentra atenção especial no Rio dos Sinos, na região de São Leopoldo, e no Rio Uruguai, onde os municípios de Itaqui e Uruguaiana podem enfrentar transbordamentos significativos. Moradores dessas áreas foram orientados a acompanhar continuamente os níveis dos rios e a se manterem afastados de zonas historicamente sujeitas a alagamentos. Os alertas do órgão estadual permanecem em vigor até a manhã desta terça-feira.
As regiões gaúchas com maior nível de atenção concentram-se nas faixas Sudoeste, Centro Ocidental, Noroeste, Sudeste, Centro Oriental, Nordeste e na Região Metropolitana de Porto Alegre. Além da chuva volumosa, o INMET aponta possibilidade de registros acima de 60 milímetros em apenas uma hora, o que intensifica o risco de deslizamentos de terra e alagamentos súbitos em áreas urbanas e rurais.
Para o agronegócio gaúcho, o cenário impõe perdas que vão além das lavouras diretamente atingidas. O excesso hídrico prejudica o manejo das culturas, paralisa operações de campo e provoca erosão do solo — dano que compromete ciclos produtivos futuros. Estradas rurais utilizadas no escoamento da produção são especialmente vulneráveis a esse tipo de evento, podendo ficar interditadas por dias após a passagem das chuvas.
A combinação entre precipitação persistente, ventos fortes e possibilidade de queda de granizo em pontos isolados torna o quadro ainda mais adverso para produtores que tentam recuperar a produtividade depois dos episódios climáticos anteriores registrados no estado ao longo de 2025 e 2026.
A partir desta terça-feira, o sistema de instabilidade começa a se deslocar para Santa Catarina e Paraná, onde as pancadas devem ganhar intensidade entre terça e quarta-feira, especialmente no interior desses estados. "A partir da terça-feira, a chuva avança principalmente sobre Santa Catarina e também o estado do Paraná. Na quarta-feira, a indicação é de chuva mais concentrada pelo interior desses estados. Essas pancadas podem ocorrer na forma de temporais isolados e também provocar queda de granizo em alguns pontos", explicou Patrícia Cassoli, da Ampere Consultoria.
Os volumes projetados para Santa Catarina e Paraná devem ser menores do que os registrados no Rio Grande do Sul, mas o avanço da frente fria em direção ao norte é um sinal de atenção para Mato Grosso do Sul. O estado compartilha fronteira com o Paraguai e mantém intensa atividade agropecuária em regiões como o Cone Sul e o entorno de Ponta Porã e Dourados, áreas que costumam ser influenciadas por sistemas meteorológicos originados no extremo sul do Brasil. Produtores e moradores dessas localidades devem acompanhar os boletins do INMET ao longo da semana.
O episódio reforça o padrão de instabilidade climática que tem marcado o inverno de 2026 na região Sul, com alternância entre secas localizadas e episódios bruscos de chuva intensa — um desafio crescente tanto para a gestão de risco de desastres quanto para o planejamento agrícola em todo o país.
Fontes: INMET, DEFESA CIVIL DO RIO GRANDE DO SUL, AMPERE CONSULTORIA