Os golpes praticados por telefone têm se tornado uma preocupação crescente no Brasil e já são classificados por especialistas do setor financeiro como uma verdadeira epidemia. A combinação entre vazamento de dados pessoais, uso de tecnologia para mascarar números de telefone e estratégias de engenharia social tem ampliado o número de vítimas em todo o país.
Levantamento da empresa de segurança cibernética Kaspersky aponta que cerca de 70% dos brasileiros receberam ligações indesejadas em um período de seis meses. Desse total, aproximadamente 15% eram tentativas de golpe, incluindo falsas centrais bancárias, promoções inexistentes e comunicações fraudulentas destinadas a obter informações pessoais e financeiras.
Entre as modalidades mais comuns está o golpe da falsa central telefônica. Nele, criminosos entram em contato informando uma suposta compra suspeita, tentativa de invasão de conta ou movimentação financeira irregular. Com isso, criam um cenário de urgência para convencer a vítima a fornecer senhas, códigos de autenticação ou realizar transferências bancárias.
Uma das ferramentas mais utilizadas pelos golpistas é o chamado spoofing, tecnologia capaz de mascarar o número de origem da ligação. Dessa forma, o telefone exibido na tela do celular pode parecer legítimo, simulando o contato de bancos, operadoras ou instituições conhecidas. A estratégia aumenta a credibilidade da fraude e dificulta a identificação do golpe.
Diante do crescimento dessas ocorrências, bancos e entidades do setor financeiro passaram a pressionar por mecanismos mais rígidos de controle das linhas telefônicas utilizadas em fraudes. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defende uma atuação conjunta entre instituições financeiras, operadoras de telecomunicações e órgãos reguladores para agilizar a identificação e o bloqueio de números comprovadamente associados a atividades criminosas.
Segundo representantes do setor, um dos principais desafios está na legislação atual, que dificulta o bloqueio imediato de linhas apenas com base em denúncias. A proposta é criar instrumentos jurídicos que permitam ações mais rápidas, desde que sustentadas por evidências e critérios objetivos, evitando bloqueios indevidos.
Especialistas alertam que a principal arma utilizada pelos criminosos continua sendo a manipulação emocional. As ligações costumam explorar sentimentos de medo, urgência e insegurança, levando as vítimas a agir sem confirmar a veracidade das informações. Por isso, a recomendação é interromper a conversa e entrar em contato diretamente com o banco por canais oficiais sempre que houver qualquer suspeita.
Também é importante desconfiar de mensagens SMS ou chamadas que solicitem senhas, códigos enviados por aplicativos, dados bancários ou transferências para supostas contas seguras. Instituições financeiras reforçam que não pedem esse tipo de informação por telefone, mensagens ou redes sociais.
Com a digitalização dos serviços bancários e o aumento da circulação de dados pessoais na internet, especialistas acreditam que a conscientização dos consumidores e o fortalecimento dos mecanismos de controle serão fundamentais para reduzir o impacto das fraudes nos próximos anos.
Fonte: Estadão, Kaspersky e Federação Brasileira de Bancos (Febraban).