O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comercializada no Brasil. O percentual passará dos atuais 30% para 32%, criando a chamada gasolina E32. A medida terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada por igual período.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a decisão foi tomada em meio às oscilações do mercado internacional de petróleo e ao cenário de instabilidade provocado por conflitos geopolíticos. O objetivo é reduzir a dependência brasileira da gasolina importada, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética.
A previsão do governo é que a nova composição entre em vigor a partir de 1º de agosto de 2026. Com a mudança, a expectativa é reduzir significativamente a necessidade de importação de gasolina, fortalecendo a segurança energética do país e diminuindo a exposição às variações internacionais de preços.
De acordo com estimativas apresentadas pelo governo, a adoção da gasolina E32 poderá evitar a importação de centenas de milhões de litros de combustível por ano. A medida faz parte das diretrizes do programa Combustível do Futuro, criado para incentivar o uso de energias mais limpas e estimular a descarbonização do setor de transportes.
Antes da aprovação, a nova mistura passou por avaliações técnicas conduzidas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes analisaram fatores como desempenho, dirigibilidade, consumo, emissões e partida a frio em diferentes tipos de veículos. Segundo o CNPE e o Ministério de Minas e Energia, os resultados indicaram que o uso de 32% de etanol não provoca impactos relevantes no funcionamento dos automóveis, inclusive em veículos equipados com motores não flex.
O setor sucroenergético recebeu a decisão de forma positiva. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estima que o aumento da mistura poderá elevar em cerca de 1 bilhão de litros por ano a demanda por etanol anidro, fortalecendo a cadeia produtiva da cana-de-açúcar e estimulando investimentos no setor.
Apesar do apoio da indústria de biocombustíveis, especialistas do setor automotivo defendem acompanhamento contínuo dos efeitos da medida, principalmente em veículos mais antigos ou projetados originalmente para operar com menores percentuais de etanol. Enquanto isso, o governo já estuda a possibilidade de avançar futuramente para uma mistura ainda maior, chegando a 35% de etanol na gasolina.
Para Mato Grosso do Sul, um dos principais produtores nacionais de etanol de cana-de-açúcar e milho, a decisão pode representar novas oportunidades para o setor bioenergético, fortalecendo a demanda pelo combustível renovável produzido no Estado e ampliando a importância da cadeia sucroenergética na economia regional.
Fonte: CNPE, Ministério de Minas e Energia.