Viver sozinho deixou de ser uma exceção para se tornar uma realidade cada vez mais comum no Brasil.
Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os domicílios com apenas um morador já representam 18,9% das residências brasileiras, o equivalente a cerca de 13,7 milhões de lares.
O percentual revela uma transformação significativa na estrutura familiar do país. Em 2010, os domicílios unipessoais correspondiam a 12,2% do total, demonstrando um crescimento expressivo ao longo da última década.
Segundo especialistas do IBGE, diversos fatores ajudam a explicar essa mudança. Entre eles estão o envelhecimento da população, a redução do número de filhos, o adiamento do casamento e uma crescente valorização da autonomia e da independência individual.
O fenômeno não está restrito aos idosos. Embora o avanço da longevidade contribua para o aumento de pessoas da terceira idade vivendo sozinhas, o crescimento também é observado entre jovens adultos e profissionais que optam por residências individuais em busca de liberdade, praticidade e desenvolvimento profissional.
Os números indicam ainda mudanças no perfil das famílias brasileiras. Enquanto os domicílios formados por casais com filhos continuam sendo maioria, cresce a participação dos lares compostos por uma única pessoa e dos casais que optam por não ter filhos.
A expansão dos lares unipessoais também provoca impactos econômicos e sociais. O mercado imobiliário, por exemplo, vem registrando aumento da procura por apartamentos compactos e imóveis de um dormitório, tendência observada em diversas capitais brasileiras.
Além disso, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção social, saúde e assistência para pessoas que vivem sem o suporte diário de familiares.
Entre os estados com maior proporção de moradores vivendo sozinhos estão Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Já os menores índices foram registrados no Amapá, Amazonas e Pará.
Para os pesquisadores, a tendência é que esse modelo de moradia continue crescendo nos próximos anos, acompanhando as transformações demográficas e comportamentais da sociedade brasileira.
O dado reforça uma nova configuração dos lares no país, marcada pela diversidade de arranjos familiares e pela busca de maior autonomia nas escolhas de vida.