Soja estável em Chicago aguarda relatório do USDA enquanto óleo despenca 3%

Cotações do grão operam em faixa estreita nesta quarta-feira, pressionadas pela queda do óleo de soja e pela cautela antes do boletim mensal americano.

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Soja estável em Chicago aguarda relatório do USDA enquanto óleo despenca 3%
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As cotações dos contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago operam sem direção definida nesta quarta-feira, 9 de abril, sustentadas pelo desempenho positivo do farelo, mas freadas pela forte queda do óleo de soja — que recua mais de 3% na sessão. Por volta das 13h50 (horário de Brasília), o contrato de maio era negociado a US$ 11,60 por bushel e o de julho a US$ 11,76, com variações positivas entre 0,25 e 1,7 ponto — oscilação que define bem o tom lateral do mercado.

O ambiente de espera domina as negociações. Na quinta-feira (10), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga seu boletim mensal de oferta e demanda — o WASDE —, e os traders preferem segurar posições antes de qualquer surpresa nos números. Grandes variações não são esperadas, mas o relatório costuma provocar realinhamento de posições mesmo quando as estimativas se confirmam. Esse comportamento cautelar é rotineiro em vésperas de dados oficiais e explica parte da estabilidade observada hoje.

Petróleo em queda reverbera na cadeia de derivados

Um fator externo ganhou peso considerável na sessão: as notícias sobre um possível cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos derrubaram os preços do petróleo de forma abrupta. Tanto o Brent quanto o WTI operam abaixo de US$ 100,00 por barril, acumulando perdas superiores a 15% nas últimas semanas — e parte dessa queda foi registrada justamente hoje. A pressão sobre o óleo cru arrastou o óleo de soja, derivado energético da cadeia, que despencou mais de 3%.

Esse movimento é relevante para entender por que a soja em grão não consegue avançar com mais convicção mesmo diante de um farelo em campo positivo. A lógica de precificação da oleaginosa distribui o valor entre seus subprodutos — grão, farelo e óleo —, e quando um dos componentes derrete, o efeito aparece como resistência nos contratos do grão. É o que ocorre nesta sessão: o farelo empurra levemente para cima, o óleo empurra para baixo, e o resultado é esse andar de lado que frustra quem aguardava uma definição de tendência.

O que os produtores de MS devem observar nos próximos dias

Para os produtores de Mato Grosso do Sul — um dos maiores estados sojicultores do país, com safra estimada em torno de 10 milhões de toneladas —, o relatório do USDA desta quinta é um evento-chave para a formação de preços em reais. O câmbio continua como variável crucial: um dólar mais alto ameniza as perdas de uma soja lateral em Chicago, mas a depreciação do petróleo pode ser um sinal de desaceleração da demanda global, o que eventualmente afeta o apetite por commodities agrícolas.

Regiões como Dourados, Maracaju e Chapadão do Sul, que concentram grande parte da produção estadual, acompanham de perto esses movimentos para decidir sobre comercialização de estoques remanescentes da safra 2024/25. Em um cenário de preços laterais e relatório aguardado, a recomendação geral de analistas aponta para cautela na fixação de novos contratos até que o USDA entregue clareza sobre os estoques globais e a demanda chinesa.

O que esperar após o WASDE de abril

O mercado deve ganhar mais definição a partir de amanhã à tarde. Se o relatório confirmar estoques globais dentro do esperado e mantiver as projeções de demanda da China estáveis, a tendência é que Chicago continue operando dentro das faixas atuais — com o maio entre US$ 11,40 e US$ 11,80. Uma surpresa negativa nos estoques americanos ou uma revisão para baixo na demanda asiática, porém, poderia pressionar as cotações abaixo dos US$ 11,40, nível que analistas técnicos identificam como suporte relevante.

Para o Brasil, qualquer movimento mais claro em Chicago tende a se refletir rapidamente nas praças físicas do Centro-Oeste, inclusive nos contratos firmados entre tradings e cooperativas de Mato Grosso do Sul. O produtor que ainda não fechou posição para a safra atual tem nas próximas 24 horas uma janela decisiva de observação — não necessariamente de ação, mas de leitura do mercado.

Fontes: USDA, BOLSA DE CHICAGO (CBOT)


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