Anvisa proíbe suplemento de moringa ligado a surto de Salmonella resistente nos EUA

Cápsulas 'Rosabella Moringa' foram banidas preventivamente no Brasil após autoridades americanas detectarem contaminação por bactéria resistente a antibióticos.

Por
Anvisa proíbe suplemento de moringa ligado a surto de Salmonella resistente nos EUA
Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição imediata de comercialização, importação, distribuição e uso do suplemento alimentar 'Dietary Supplement Rosabella Moringa Capsules', produzido pela fabricante norte-americana Ambrosia Brands. A decisão foi motivada pelo envolvimento do produto em um surto internacional de Salmonella resistente a antibióticos, identificado pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos, e pela confirmação da própria fabricante de que o produto foi distribuído ao Brasil.

  • O quê: Proibição de suplemento de moringa com risco de contaminação por Salmonella multirresistente
  • Quando: Medida publicada recentemente pela Anvisa em caráter preventivo
  • Onde: Brasil — com alerta para compras internacionais via e-commerce
  • Impacto: Consumidores que adquiriram o produto pela internet devem interromper o uso imediatamente

Por que o suplemento de moringa representa risco duplo à saúde

O caso das cápsulas Rosabella concentra dois problemas distintos: o risco imediato de contaminação bacteriana e uma proibição que já existia no Brasil muito antes desse surto. A Moringa oleifera — planta também chamada de acácia-branca — tem uso como alimento proibido no país desde 2019. A Anvisa vedou a comercialização de qualquer produto alimentício baseado nessa planta por haver evidências de efeitos genotóxicos (capazes de danificar o material genético e elevar risco de câncer) e hepatotóxicos (que comprometem a função do fígado). Além disso, a agência afirma não existir comprovação científica de segurança para nenhuma forma de apresentação do produto — seja cápsulas, chás, pós, barras ou bebidas. Apesar da proibição vigente, anúncios irregulares continuaram circulando em plataformas de e-commerce, incluindo o Mercado Livre, com ofertas de importação internacional do suplemento.

Salmonella resistente: o que torna esse surto diferente dos casos comuns

A preocupação das autoridades vai além da contaminação tradicional. Os lotes do suplemento identificados no surto americano estão associados a uma cepa de Salmonella com resistência aos antibióticos habitualmente usados no tratamento da doença. Isso significa que pacientes infectados têm menos opções terapêuticas eficazes, o que pode prolongar o período de doença e aumentar o risco de complicações. Em condições normais, a salmonelose se manifesta entre 12 e 72 horas após a ingestão do alimento contaminado, com sintomas como diarreia, febre e cólicas abdominais que duram de 4 a 7 dias. Nos casos envolvendo cepas resistentes, o quadro clínico pode ser significativamente mais grave, exigindo internação hospitalar.

Como identificar o produto proibido e o que fazer em Mato Grosso do Sul

A Anvisa alerta que anúncios exibidos apenas em inglês, sem informações em português sobre origem ou identidade do produto, já são indício suficiente de que se trata de item sem registro no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, assim como em outros estados, moradores que adquiriram as cápsulas por meio de compras internacionais — especialmente via plataformas de e-commerce — devem interromper o consumo imediatamente e podem registrar denúncias junto à Vigilância Sanitária Estadual (Visa/MS) ou diretamente pelos canais oficiais da Anvisa. A agência também reforça que o fato de uma pessoa ter importado o suplemento para uso próprio não a isenta do risco sanitário, já que lotes contaminados podem ter chegado ao país por essa via. Os lotes proibidos estão identificados no comunicado oficial da Anvisa e incluem os produtos da linha Rosabella Moringa Capsules da fabricante Ambrosia Brands.

O episódio reacende o debate sobre a circulação de suplementos sem registro sanitário no Brasil, especialmente aqueles comercializados em plataformas digitais com apelos terapêuticos não comprovados. No caso das cápsulas de moringa apreendidas, os anúncios chegavam a afirmar que o produto tratava câncer, diabetes e doenças cardiovasculares — promessas sem qualquer respaldo científico e que configuram infração sanitária grave. Para consumidores de MS e de todo o Centro-Oeste, a orientação é clara: desconfie de suplementos vendidos apenas em inglês, sem rótulo em português e sem registro na Anvisa, independentemente do canal de venda.

Fontes: ANVISA


Notícias Relacionadas »