Cirurgião com 36 anos de casa assume a presidência da Santa Casa de Campo Grande

Luiz Alberto Kanamura toma posse na quarta-feira (23) em meio à crise aberta pela Operação Antidotum; cerimônia acontece às 8h no Centro da Capital.

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Cirurgião com 36 anos de casa assume a presidência da Santa Casa de Campo Grande
Divulgação

O cirurgião cardiovascular Luiz Alberto Hiroki Kanamura assume a presidência da Santa Casa de Campo Grande na manhã de quarta-feira, 23 de setembro de 2026, em cerimônia marcada para as 8h no Auditório Carroceiro Zé Bonito, na Rua Eduardo Santos Pereira, 88, no Centro da Capital. Kanamura é intensivista e está vinculado ao hospital desde 1990 — 36 anos de atuação na instituição antes de chegar ao cargo máximo.

A posse acontece em um momento de forte pressão institucional sobre o maior hospital filantrópico de Mato Grosso do Sul. Em 11 de setembro, a Santa Casa foi alvo da Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que investiga suspeitas de fraude em contratos. A transição de gestão chega, portanto, marcada pela necessidade de recomposição da credibilidade do hospital perante o SUS, os convênios e a população de Campo Grande.

Quem conduz a cerimônia e o que está em jogo na transição

A solenidade será presidida pelo atual presidente em exercício, Heitor Miguel Scheibeler, e terá a participação do gerente de Compliance, José Roberto de Souza — figura cuja presença sinaliza o esforço da instituição em reforçar controles internos após o episódio da operação policial. Autoridades, colaboradores e representantes da imprensa também estão convidados.

Em nota, o hospital destacou que o evento "representa um momento de transição e fortalecimento institucional, destacando a importância da gestão hospitalar para o futuro da saúde em Mato Grosso do Sul". O discurso institucional aposta na ideia de renovação, mas Kanamura herda uma pauta urgente: a Santa Casa já havia suspendido cirurgias e recebido R$ 4 milhões em caráter emergencial antes mesmo da operação do MPMS, o que revela fragilidade financeira que antecede a crise jurídica.

Perfil do novo superintendente e desafio imediato

Kanamura acumula décadas na linha de frente do hospital — primeiro como cirurgião cardiovascular e intensivista, funções que exigem decisão rápida em situações críticas. A trajetória dentro da própria instituição tende a ser apresentada pela diretoria como garantia de continuidade assistencial, ao mesmo tempo em que a gestão terá de demonstrar distância das práticas que motivaram as investigações.

O novo superintendente assume em meio a um escrutínio público que vai além dos muros do hospital: qualquer decisão sobre contratos, compras e repasses ao SUS estará sob observação direta do MPMS. Para os 4 pacientes pediátricos que aguardavam cirurgia cardíaca sem previsão de retorno — conforme apurado pelo MSConecta —, a mudança no comando é também uma janela de esperança para que a fila de procedimentos represados volte a andar.

Fontes: SANTA CASA DE CAMPO GRANDE; DIARIO DIGITAL


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