Mato Grosso do Sul enfrenta um avanço preocupante da chikungunya em 2026: até a 12ª semana epidemiológica, o estado acumula 1.764 casos confirmados no sistema oficial de notificação e 3.657 casos prováveis da doença. O cenário mais grave, porém, está nos 7 óbitos já confirmados, registrados nos municípios de Dourados, Bonito e Jardim — três das vítimas tinham alguma comorbidade preexistente. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) nesta quarta-feira, 1º de abril.
A chikungunya não escolhe perfil, mas os dados do boletim revelam que parte das vítimas fatais já carregava condições de saúde que agravaram o quadro clínico. Das 7 mortes confirmadas, três ocorreram em pessoas com comorbidades — o que reforça a necessidade de atenção especial a idosos, diabéticos, hipertensos e imunossuprimidos durante o período de circulação do vírus. Além disso, o estado registra 37 casos confirmados em gestantes, grupo que exige acompanhamento médico rigoroso, pois a doença pode complicar a gravidez e afetar o recém-nascido. A SES-MS orienta que qualquer pessoa com febre, dores articulares intensas ou manchas na pele procure imediatamente uma unidade de saúde, sem recorrer à automedicação — prática que pode mascarar sintomas e retardar o diagnóstico correto.
Paralelamente à chikungunya, o estado monitora 2.485 casos prováveis de dengue, dos quais 352 foram confirmados. Um óbito suspeito segue em investigação pelas autoridades sanitárias. Nos últimos 14 dias, municípios como Santa Rita do Pardo, Corumbá, Bonito, Naviraí, Sidrolândia e Chapadão do Sul, entre outros, registraram baixa incidência confirmada — o que pode indicar desaceleração pontual, mas não dispensa vigilância. No front da vacinação, 223.322 doses do imunizante contra a dengue já foram aplicadas no estado, de um total de 241.030 doses recebidas do Ministério da Saúde. O índice de aproveitamento supera 92% do estoque disponível, um desempenho significativo considerando que a campanha é direcionada exclusivamente a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias — faixa etária com maior taxa de hospitalização pela doença.
O esquema vacinal contra dengue exige duas doses com intervalo de três meses entre elas. Famílias com filhos na faixa etária indicada devem verificar se a criança já recebeu as duas aplicações nas unidades básicas de saúde do município. Para chikungunya, ainda não há vacina disponível no Brasil, tornando a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti — transmissor de ambas as doenças — a principal estratégia de prevenção. A SES-MS deve divulgar novos boletins semanalmente, com atualização dos números de casos e eventuais mudanças no perfil epidemiológico. Com o encerramento da estação chuvosa se aproximando, especialistas aguardam uma possível redução na proliferação do vetor, mas alertam que o calor persistente no Centro-Oeste pode prolongar o período de risco além do esperado para os próximos meses de 2026.
O cenário epidemiológico de Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência observada em outros estados da região Centro-Oeste, onde a circulação simultânea de dengue e chikungunya exige dos sistemas municipais de saúde uma resposta integrada — da vigilância entomológica ao atendimento clínico nas UBSs. A pressão sobre as unidades de saúde tende a crescer nas próximas semanas caso o número de casos prováveis se converta em novos confirmados.
Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL (SES-MS)