Uma turma do 4º ano da Escola Municipal João Carlos Pinheiro Marques, em Ponta Porã, usou uma placa de programação microbit para criar um comunicador acessível a pessoas surdas: ao apertar um botão, o aparelho exibe palavras como "água" e "banheiro" na tela. O trabalho nasceu dentro do Intervalo da Cidadania, programa da Secretaria de Estado de Educação (SEC) que neste ano chega a 30 escolas municipais em 20 cidades de Mato Grosso do Sul, incluindo Campo Grande, Corumbá, Dourados... não, incluindo Batayporã, Bela Vista, Corumbá, Ivinhema, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Nioaque, Novo Horizonte do Sul, Porto Murtinho, Ribas do Rio Pardo, Tacuru, Terenos, Corguinho, Deodápolis, Guia Lopes da Laguna, Rio Brilhante, Taquarussu e Campo Grande, além de Ponta Porã.
A aluna Luana Nicole, de 9 anos, ajudou a programar o dispositivo com o apoio de uma professora intérprete de Libras e resume o aprendizado em uma frase direta: "Eu aprendi que as pessoas surdas precisam ser incluídas, a gente que não tem deficiência também precisa aprender". O colega Genaro Damião, de 10 anos, é surdo e acompanhou de perto o esforço da turma para tornar a comunicação mais fácil no dia a dia da escola.
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A escola de Ponta Porã participa do projeto pelo segundo ano seguido. Na primeira edição o tema foi empoderamento feminino; agora a unidade trabalha o eixo voltado à inclusão de pessoas com deficiência e com transtorno do espectro autista (TEA). A subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa com Deficiência da SEC, Laís Paulino, esteve na escola e destacou a mudança de postura que o projeto provoca entre os professores: "Às vezes, o professor recebe um aluno com deficiência e pensa: 'E agora, o que vou fazer? Vou ter que mudar tudo?'. Mas, muitas vezes, a mudança começa no nosso olhar para aquele aluno, na atenção que oferecemos e na capacidade de reconhecer seu potencial", afirmou.
O Intervalo da Cidadania também abre espaço para famílias. Em Ponta Porã, uma roda de conversa sobre inclusão reuniu pais e responsáveis, entre eles o motorista rodoviário Sérgio Melo, pai de um dos estudantes da turma. Para ele, debater o tema em público ajuda a dar visibilidade a uma realidade que atravessa várias famílias da escola: "Às vezes, parece tão fácil falar sobre isso, mas, ao mesmo tempo, é uma coisa que mexe muito com a gente. Como pai, sei da importância que uma iniciativa dessas tem para cada criança, cada pai e cada mãe", disse.
Criado há quatro anos pela SEC, o Intervalo da Cidadania chegou a 30 escolas municipais nesta edição, distribuídas por 20 municípios do estado. O subsecretário de Políticas Públicas para Juventude da SEC, Jessé Cruz, afirma que a expansão reflete o amadurecimento da proposta junto às redes de ensino: "Estamos vivendo um ano muito importante para a consolidação do Intervalo da Cidadania. Além dos materiais teóricos e audiovisuais, ampliamos os encontros formativos com os municípios, gestores e professores", explicou.
Segundo Jessé Cruz, cada escola adapta o conteúdo à própria realidade, combinando feiras de ciências, projetos maker, produções artísticas e rodas de conversa. É esse formato aberto que permitiu à turma de Ponta Porã transformar uma aula de programação em ferramenta concreta de acessibilidade para um colega surdo.
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Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL