Professor de Chapadão do Sul vence Prêmio Bunge com IA na lavoura

Paulo Eduardo Teodoro usa sensoriamento remoto e inteligência artificial para detectar estresse térmico em plantas antes que o problema apareça a olho nu

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Foto: Fronteira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Foto: Fronteira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um pesquisador da UFMS de Chapadão do Sul colocou o nome da unidade no mapa da ciência agrícola brasileira. O professor Paulo Eduardo Teodoro foi anunciado nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, em São Paulo, como vencedor do Prêmio Fundação Bunge 2026 na categoria Juventude. O trabalho premiado investiga como a agricultura tropical pode resistir ao calor extremo e à falta d'água, tema que dá nome à edição deste ano do prêmio: "Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico".

A cerimônia reuniu nomes da pesquisa nacional e teve a presença da reitora da UFMS, Camila Ítavo. Criado em 1955, o Prêmio Fundação Bunge é um dos mais tradicionais reconhecimentos científicos do país, voltado a pesquisadores que ajudam a resolver gargalos estratégicos do Brasil, e ter um representante de Chapadão do Sul entre os vencedores reforça o peso que o Programa de Pós-Graduação em Agronomia da cidade vem ganhando fora de Mato Grosso do Sul.

Como a inteligência artificial entra na lavoura

A pesquisa de Teodoro combina genética de plantas, agricultura digital, sensoriamento remoto e inteligência artificial para enxergar o que o olho humano não vê. As tecnologias coletam dados de milhares de plantas ao mesmo tempo e os processam em modelos computacionais capazes de apontar quais exemplares têm mais chance de resistir a secas e ondas de calor.

"Buscamos detectar alterações que muitas vezes ainda não são visíveis a olho nu. Quanto mais cedo identificamos um problema, maiores são as chances de minimizar perdas", explicou o professor. A técnica usada, chamada fenotipagem de alta precisão, permite avaliar lavouras em larga escala e selecionar materiais genéticos mais eficientes no uso da água, um fator que pesa diretamente no bolso do produtor em safras marcadas por estiagem.

Uma vitrine internacional para a pesquisa feita em MS

Para o professor, o prêmio vai além do reconhecimento pessoal. "Não vejo apenas como um prêmio individual, mas como uma vitrine para demonstrar à sociedade a importância e o impacto das nossas pesquisas, principalmente para a agricultura, e o alcance que elas podem ter", disse Teodoro, destacando que o resultado ajuda a projetar o nome da universidade em missões internacionais e artigos científicos publicados fora do país.

A reitora Camila Ítavo classificou a vitória como reflexo do papel da universidade pública na formação de soluções para problemas concretos. "É na universidade que pesquisadores encontram espaço para estudar, experimentar, questionar e produzir conhecimento capaz de enfrentar problemas concretos", afirmou. O feito também repete uma história de família: em 2024, a professora Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, esposa de Paulo e também docente da UFMS, já havia sido homenageada pela mesma fundação por sua contribuição à agricultura brasileira.

Fontes: UFMS


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