MS faz 49 anos e exportações crescem 12,5% até setembro

Valor exportado soma US$ 9,21 bi de janeiro a setembro de 2026, ante igual período de 2025; celulose, etanol e fertilizante têm fábricas em fases distintas

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Divulgação/Suzano
Divulgação/Suzano

Mato Grosso do Sul completa 49 anos de criação neste domingo (11) com as exportações em alta. De janeiro a setembro de 2026, MS exportou US$ 9,21 bilhões, 12,53% a mais que nos mesmos meses de 2025, segundo a Semadesc, a secretaria estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação. O indicador é o valor em dólares das vendas ao exterior, que não se confunde com o PIB; em toneladas, os embarques cresceram 7,95%, também segundo a Semadesc.

No mesmo recorte, as exportações brasileiras cresceram menos, 10,4%, para US$ 284,65 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O Estado foi criado pela Lei Complementar 31, de 11 de outubro de 1977, e instalado em 1º de janeiro de 1979. Pela manhã, o MSConecta publicou um panorama do aniversário; os números abaixo mostram onde a economia mudou e o que ainda depende de obra.

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Soja, celulose e carne somam três quartos das vendas

A soja em grão respondeu por 31,08% do valor exportado no período, a celulose por 26,42% e a carne bovina por 17,82%, segundo a Semadesc. A China comprou 46,34% do total, à frente dos Estados Unidos (6,46%) e dos Países Baixos (4,81%).

O campo puxou a alta. Do aumento de cerca de US$ 1 bilhão no valor exportado, dois terços vieram da agropecuária, segundo consulta do MSConecta ao Comex Stat, o sistema de estatísticas de comércio exterior do governo federal. A agropecuária de MS exportou 28,52% a mais em valor e 13,75% a mais em toneladas, segundo a Semadesc; no país, a alta do setor foi de 8,9% em valor, segundo a Secex.

A indústria de transformação, que inclui celulose, carnes e farelo de soja, aumentou o valor exportado em 9,24%, acima dos 6,3% nacionais, segundo a Semadesc e a Secex. Em toneladas, porém, embarcou 2,65% menos, segundo a consulta ao Comex Stat: o ganho do setor veio de preço e da combinação de produtos.

Por município, Três Lagoas respondeu por 18,15% do valor exportado, Dourados por 11,22% e Ribas do Rio Pardo por 11,05%, segundo a Semadesc. A estatística considera o endereço fiscal da empresa que exporta, nem sempre o lugar onde o produto foi feito.

PIB de 2023 ainda não mede as fábricas novas

O dado anual mais recente do IBGE para os estados é de 2023, quando o PIB de MS cresceu 13,4% em volume, o segundo maior avanço do país, atrás do Acre (14,7%), contra 3,2% do Brasil, segundo as Contas Regionais. O IBGE atribuiu o resultado sobretudo à soja e, na indústria, à geração hidrelétrica. O PIB somou R$ 184,4 bilhões, 1,7% do nacional.

A fábrica de Ribas só começou a operar em julho de 2024, depois do período medido. Em 2023, a indústria de transformação gerava cerca de 15% do valor adicionado estadual (o valor da produção descontados os insumos, antes dos impostos): R$ 23,8 bilhões de R$ 161,4 bilhões, segundo as tabelas do PIB de 2023 da Semadesc com o IBGE.

Do canteiro à operação: o estágio de cada fábrica

Parte das fábricas transforma no Estado o que é colhido aqui: eucalipto vira celulose, milho vira etanol e ração animal. A UFN-III, fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em Três Lagoas, segue outro caminho: deve produzir fertilizante, insumo do próprio campo. Os valores abaixo têm moedas, datas e escopos diferentes e não se somam.

Em operação

  • Suzano, Ribas do Rio Pardo (celulose): opera desde 21 de julho de 2024. Projetada para 2,55 milhões de toneladas por ano, produziu 2,58 milhões em 2025, segundo a empresa. No formulário de referência, a Suzano já considera capacidade atualizada de cerca de 2,7 milhões de toneladas por ano e informa que revisou o investimento total para R$ 22,4 bilhões em dezembro de 2025.
  • Eldorado Brasil, Três Lagoas (celulose): fábrica existente, produziu 1,788 milhão de toneladas em 2025, recorde da companhia.
  • Inpasa, Sidrolândia (etanol de grãos): a segunda fase foi autorizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em fevereiro de 2025, com capacidade de 800 milhões de litros por ano. Em 2025, a planta processou 2,1 milhões de toneladas de grãos, segundo balanço da empresa. O relatório de impacto ambiental publicado pelo Imasul, o órgão ambiental do Estado, em fevereiro de 2026 trata do pedido da empresa para elevar a capacidade licenciada de 800 milhões para 1,1 bilhão de litros por ano, por otimização do processo e sem ampliação física da linha de produção.

Em construção

  • Arauco, Inocência (celulose): o Projeto Sucuriú tem investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, capacidade prevista de 3,5 milhões de toneladas por ano e início de operação programado para o fim de 2027, segundo o relatório integrado da empresa. A montagem eletromecânica da fábrica começou em maio de 2026, segundo o boletim do projeto. O ramal ferroviário de 47 km até a Malha Norte da Rumo, com saída para Santos, começou a ser construído em fevereiro e deve ficar pronto no segundo semestre de 2027, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
  • Petrobras, UFN-III, Três Lagoas (fertilizantes): hibernada desde 2015, a fábrica teve a retomada aprovada pelo conselho de administração da Petrobras em abril, e as obras recomeçaram em 25 de junho, segundo a Prefeitura de Três Lagoas. A estatal prevê cerca de US$ 1 bilhão para concluir a unidade, cerca de 8 mil empregos temporários na obra e início da operação comercial a partir de 2029. A capacidade nominal projetada é de cerca de 3.600 toneladas de ureia por dia.

Com licença de instalação

  • Atvos, Nova Alvorada do Sul (etanol de milho): o projeto recebeu a licença de instalação em 10 de junho, segundo a Semadesc, que informa investimento previsto acima de R$ 1 bilhão, obras estimadas em dois anos e ao menos 100 trabalhadores na linha de produção quando a usina operar. A unidade deve processar 642 mil toneladas de milho e produzir 273 milhões de litros de etanol por ano, com cerca de 2 mil empregos temporários na obra, segundo a empresa. Será a quarta usina de milho do Estado; no último ciclo, 44% dos 5 bilhões de litros de etanol de MS já vieram desse grão, segundo a Biosul, citada pela Semadesc.

Com licença prévia, sem obra

  • Bracell, Bataguassu (celulose): o projeto tem licença prévia, ratificada pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental em dezembro de 2025, e investimento previsto de R$ 16 bilhões, segundo a Semadesc. A licença prévia aprova o local e a estrutura básica do projeto; a obra depende da licença de instalação, ainda não emitida.

Emprego: a obra pesa mais que a fábrica

De janeiro a agosto, a atividade industrial teve saldo de 9.928 empregos formais, 48,5% do saldo de vagas abertas no Estado, segundo a Fiems, a federação das indústrias de MS, com base no Novo Caged, o cadastro de emprego formal do Ministério do Trabalho e Emprego. O recorte da federação, que o MSConecta detalhou no dia 8, soma transformação, construção, utilidade pública e extração mineral. Os maiores saldos vieram de montagem industrial (2.177) e construção de rodovias e ferrovias (1.482); Inocência liderou entre os municípios, com 4.446.

No Caged mensal, que separa construção de indústria, julho e agosto mostram outro lado: a indústria teve saldo negativo de 881 postos e a construção, saldo positivo de 1.383, segundo a Semadesc, que atribui a queda industrial à sazonalidade. O posto de canteiro é temporário: em Ribas, a Suzano informou mais de 10 mil empregos diretos no pico da obra e cerca de 3 mil pessoas, próprias e terceirizadas, na operação, segundo o comunicado de 2024.

Fornecedores, logística e qualificação

A fábrica em operação também movimenta prestadores de serviço. A parada de manutenção da Suzano em Ribas, de 22 de março a 1º de abril de 2026, previa mobilizar mais de 3,3 mil profissionais de 72 empresas prestadoras, segundo a companhia.

O caminho até o porto também pesa. A celulose de Ribas segue por rodovia e ferrovia até Santos, segundo a Suzano. O porto paulista escoou 38,40% do valor exportado pelo Estado de janeiro a setembro, segundo a Semadesc. A Rota Bioceânica, que deve ligar MS aos portos do norte do Chile, ainda depende da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, que em 23 de setembro estava em fase final de construção, segundo a Rádio Senado.

Na mão de obra, a Arauco recebeu mais de 2.360 candidatos numa feira de profissões em seis municípios para formar 750 operadores de máquinas e 50 mecânicos, segundo o boletim do projeto; são vagas de curso, ainda não postos de trabalho. No Estado, o Mapa do Trabalho Industrial, do Observatório Nacional da Indústria, divulgado pelo Senai-MS em 2024, projeta 207.139 demandas de formação entre 2025 e 2027, a maioria (176.010) para aperfeiçoar quem já está no mercado de trabalho.

A transição também pesa no comércio. Em reportagem de 4 de setembro, o Campo Grande News ouviu comerciantes de Ribas do Rio Pardo que relataram queda nas vendas, mudança de endereço e corte de custos depois da saída dos trabalhadores da construção. O texto ressalva que a passagem de mais de 10 mil trabalhadores no pico da obra para cerca de 3 mil na operação não equivale a moradores desempregados: boa parte veio de outras cidades e partiu ao fim das obras.

Efeito duradouro depende do que fica depois das obras

O avanço de 2026 se apoia sobretudo no campo, que vendeu mais em volume e em valor; na indústria de transformação, o valor exportado subiu com menos toneladas embarcadas. Quase metade das vendas vai para um único destino, a China. A base industrial cresce em etapas: Ribas já opera perto da capacidade atualizada; a fábrica de Inocência deve começar a operar no fim de 2027; a usina da Atvos, mantido o prazo de dois anos, em 2028; e a UFN-III, a partir de 2029. Até lá, boa parte do emprego novo nasce em canteiros temporários. O efeito duradouro nas cidades vai depender de fornecedores, serviços e mão de obra qualificada que fiquem depois das obras.

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Fontes: SEMADESC; MDIC/SECEX (COMEX STAT); IBGE; FIEMS; MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (NOVO CAGED); SUZANO; ELDORADO BRASIL; INPASA; ANP; IMASUL; ARAUCO; ANTT; PETROBRAS; PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS; ATVOS; BIOSUL; SENAI-MS; OBSERVATÓRIO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI); SENADO FEDERAL; CÂMARA DOS DEPUTADOS


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