A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3) começa a produzir reflexos no mercado de trabalho de Três Lagoas. Cerca de mil trabalhadores já estão mobilizados nas atividades relacionadas à conclusão do empreendimento, segundo informações da Petrobras divulgadas nesta semana. A estatal prevê investir cerca de US$ 1 bilhão, montante superior a R$ 5 bilhões nas estimativas apresentadas durante o anúncio da retomada, para concluir a fábrica. A expectativa oficial é de aproximadamente 8 mil empregos ao longo das obras, com início das operações comerciais previsto para 2029.
O movimento já aparece nas contratações realizadas no município. Desde o início da mobilização do canteiro, empresas responsáveis por diferentes etapas do empreendimento vêm buscando profissionais em áreas como construção civil, montagem e manutenção industrial. Em julho, a Casa do Trabalhador chegou a divulgar 255 vagas vinculadas à UFN3, incluindo oportunidades para pedreiros, ajudantes de obras, carpinteiros, pintores e soldadores. Em agosto, novas seleções foram abertas, reforçando a demanda por mão de obra provocada pela retomada de um projeto que permaneceu paralisado por mais de uma década.
Além do investimento direto da Petrobras, uma novidade pode ampliar as condições econômicas para a conclusão do empreendimento. A Lei nº 15.496, sancionada em 3 de setembro de 2026, criou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o Profert, destinado a estimular a produção nacional e reduzir a dependência brasileira de insumos importados. O programa prevê até R$ 10 bilhões em créditos tributários entre 2027 e 2031, limitados a R$ 2 bilhões por ano, para projetos selecionados conforme as regras que serão estabelecidas para acesso aos benefícios.
No caso da UFN3, a consultora-chefe da Fiems Conecta, Renata Farias, estima que o empreendimento de Três Lagoas poderá obter entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em benefícios fiscais do Profert até 2031. O valor, entretanto, não está liberado nem garantido. A Petrobras confirmou a possibilidade de acessar o programa, mas informou que aguarda a regulamentação da nova legislação para avaliar os impactos e as condições de participação. Portanto, os bilhões previstos representam uma estimativa de benefício potencial, e não recursos já concedidos à fábrica sul-mato-grossense.
Com a retomada, a UFN3 volta a ocupar posição estratégica tanto para a economia de Três Lagoas e Mato Grosso do Sul quanto para a política nacional de fertilizantes. A unidade deverá produzir ureia e amônia e está localizada próxima de importantes mercados consumidores do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, característica apontada pela própria Petrobras como vantagem competitiva. Além de gerar milhares de postos de trabalho durante a construção, a conclusão da fábrica integra a estratégia de ampliar a produção brasileira de fertilizantes e diminuir a exposição do agronegócio às importações. Depois de anos de paralisação, o projeto entra agora em uma nova fase, combinando investimento bilionário, geração de empregos e a possibilidade de acesso aos incentivos criados recentemente pelo governo federal.