MS armazena só 58,8% dos grãos que colhe e perde 12 milhões de t

Levantamento da Aprosoja mostra que 71 dos 78 municípios produtores de MS têm déficit de armazenagem; Dourados lidera capacidade instalada

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MS armazena só 58,8% dos grãos que colhe e perde 12 milhões de t
Spatms/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Mato Grosso do Sul colhe muito mais grão do que consegue guardar. Um levantamento da Aprosoja-MS, atualizado nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, mostra que o Estado tem estrutura para armazenar apenas 17,19 milhões de toneladas de soja e milho, quando a necessidade real, calculada pela média das últimas cinco safras, é de 29,22 milhões de toneladas. A conta fecha num rombo de cerca de 12 milhões de toneladas, uma diferença que empurra parte da colheita para caminhões, lonas e silos improvisados na beira da lavoura.

O problema não é pontual. Ele se arrasta desde que a produção sul-mato-grossense engatou uma curva de crescimento que os armazéns não acompanharam no mesmo ritmo. Em 2023, ano de maior produção da série histórica analisada, o déficit chegou a bater 21,53 milhões de toneladas, o pior número do período. Na safra 2025/2026, a estimativa de produção de soja e milho no Estado é de 27,9 milhões de toneladas, volume que reforça a pressão sobre uma rede de armazenagem que, hoje, dá conta de pouco mais da metade do que seria ideal.

Dourados tem a maior estrutura, mas fronteira sofre

O Painel de Armazenagem do Siga-MS, construído com dados da Conab e levantamento de campo, identificou 799 complexos armazenadores espalhados por 65 municípios. Nem de longe a distribuição é equilibrada. Dourados concentra a maior capacidade do Estado, com cerca de 2,42 milhões de toneladas, e está entre os sete municípios cuja estrutura supera a necessidade calculada, ao lado de Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia, Brasilândia e Três Lagoas.

Do outro lado da conta, Ponta Porã e Maracaju somam juntos um déficit de 2,43 milhões de toneladas, um dos piores descompassos do levantamento. É um dado que pesa especialmente para quem acompanha a região de fronteira com o Paraguai, onde o escoamento da safra já esbarra em outros gargalos logísticos. No total, cinco municípios (Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste) concentram quase metade, 49,9%, de toda a capacidade instalada no Estado, mas respondem por apenas 37,6% da produção considerada no estudo, o que escancara o desequilíbrio entre onde se planta e onde se guarda o grão.

Rodovia federal, sim; ferrovia e hidrovia, quase nada

A localização dos armazéns confirma uma dependência antiga do transporte rodoviário. Cerca de 41% da capacidade estadual está a até 30 quilômetros da BR-163, principal corredor de escoamento da soja sul-mato-grossense. Somando todas as rodovias federais, essa fatia sobe para 88,6% da estrutura de armazenagem do Estado.

A ferrovia, que poderia aliviar o custo do frete, segue subutilizada. Mato Grosso do Sul tem 1.581 quilômetros de malha ferroviária, mas apenas 378 quilômetros operam com circulação regular. Só 7,9% da capacidade de armazenagem está próxima da Malha Norte, a única linha com movimentação constante, e apenas 3,9% fica a até 30 quilômetros dos corredores hidroviários mapeados no estudo. Para o produtor, na prática, isso significa depender quase exclusivamente do caminhão para levar o grão até o armazém e, depois, até o porto.

Fontes: CONAB


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