Maracaju e Sidrolândia colhem 3 milhões de toneladas e viram polo do milho

Biorrefinarias instaladas nas duas cidades de MS mudam o que os produtores plantam e abrem vagas qualificadas no interior

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Ken Lund from Reno, Nevada, USA/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

A chegada de duas grandes biorrefinarias ao coração da produção de milho de Mato Grosso do Sul está redesenhando o mapa de plantio em Maracaju e Sidrolândia, municípios que juntos colheram mais de 3 milhões de toneladas de milho na segunda safra de 2024/2025. Com fábricas de etanol de milho operando a poucos quilômetros das lavouras, produtores rurais passaram a repensar o que cultivam, para onde vendem e como organizam a logística da propriedade.

O caso do produtor Chester Vincensi ilustra essa mudança. Ele mantém uma propriedade em Maracaju e recentemente arrendou uma área em Sidrolândia, ampliando a rotação de culturas que antes se resumia praticamente a soja e milho. "Temos uma propriedade em Maracaju e, recentemente, arrendamos uma área em Sidrolândia. Nossa produção sempre foi voltada principalmente para soja e milho, mas agora também estamos investindo no sorgo", conta o produtor.

Indústria perto da lavoura muda o que se planta

Durante anos, a estrutura de recebimento de grãos na região esteve concentrada em soja e milho, limitando as opções de segunda safra. Com as usinas de etanol de milho passando a demandar também sorgo como matéria-prima complementar, uma nova alternativa de plantio ganhou espaço no calendário agrícola. "Em vez de plantar apenas milho na segunda safra, muitos agricultores passam a enxergar o sorgo como uma opção viável, porque existe um mercado garantido e um local para entregar essa produção", afirma Chester Vincensi.

Para o produtor, a proximidade entre lavoura e indústria interfere diretamente na rentabilidade da propriedade. "A possibilidade de entregar a produção diretamente para a indústria, aliada às opções de armazenamento mais próximas, abre uma boa perspectiva de mercado. Isso nos permite reduzir custos com transporte, investir mais na propriedade e buscar uma melhor rentabilidade na comercialização", diz ele.

Novas fábricas elevam capacidade de processamento no interior de MS

Em Maracaju, a Neomille iniciou operações com uma primeira fase projetada para processar cerca de 608 mil toneladas de milho por ano, transformando o grão em etanol, além de produzir farelo para alimentação animal e óleo de milho. Já em Sidrolândia, a expansão da Inpasa levou a capacidade declarada da planta a 800 milhões de litros de etanol por ano, com produção paralela de DDGS, óleo e energia elétrica.

Esse tipo de estrutura já vinha se consolidando em outras frentes do agronegócio sul-mato-grossense, como mostra o aproveitamento do óleo de milho processado em MS na produção de asfalto. Com a chegada das biorrefinarias, cidades como Maracaju e Sidrolândia começam a registrar aumento na procura por mão de obra qualificada, movimento que acompanha o comportamento do mercado de milho em MS nos últimos meses. O desafio segue sendo garantir que a riqueza gerada pelas novas plantas industriais também chegue às famílias e aos pequenos negócios do entorno.

Fontes: NOTÍCIAS DO CERRADO