Malha Oeste pode ser peça-chave para viabilizar contrafluxo da Rota Bioceânica em MS

Ferrovia poderá transportar fertilizantes, máquinas e eletrônicos vindos dos portos do Pacífico, ampliando a competitividade logística do Estado

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A discussão sobre a Rota Bioceânica costuma estar concentrada nas exportações de soja, carne, celulose e minério rumo aos mercados asiáticos. No entanto, especialistas em logística apontam que a viabilidade econômica do corredor internacional depende também do chamado contrafluxo, ou seja, da entrada de mercadorias importadas pelo mesmo trajeto.

Nesse cenário, a recuperação da Malha Oeste pode desempenhar papel estratégico ao permitir o transporte ferroviário de fertilizantes, máquinas agrícolas, equipamentos industriais, eletrônicos e cargas conteinerizadas que chegariam ao Brasil pelos portos do Chile. 

O tema ganha relevância em meio ao projeto de nova concessão da ferrovia, que liga Corumbá a Mairinque (SP). A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou os estudos para a concessão e o governo federal prevê aporte de até R$ 3,6 bilhões para recuperação da infraestrutura, com leilão programado para 2027. O projeto contempla 1.625 quilômetros de extensão e reforça a integração logística de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, Paraguai e o Porto de Santos. 

Para o agronegócio sul-mato-grossense, o contrafluxo pode ser decisivo. O Brasil é fortemente dependente da importação de fertilizantes e insumos agrícolas, e a própria Rota Bioceânica já vem sendo apontada como alternativa para ampliar as trocas comerciais com fornecedores internacionais desses produtos. A chegada de fertilizantes, defensivos, maquinário e equipamentos pelo corredor bioceânico reduziria a necessidade de caminhões retornarem vazios, aumentando a eficiência logística e diminuindo custos de transporte. 

A aposta também envolve cargas industriais e tecnológicas. Com a redução do tempo de transporte entre a América do Sul e a Ásia por meio dos portos do Pacífico, Mato Grosso do Sul busca se posicionar como um centro de distribuição de mercadorias para o Centro-Oeste brasileiro.

Autoridades estaduais já defendem que o Estado pode se transformar em um hub logístico de redistribuição de produtos importados, mas especialistas alertam que, para isso, será fundamental que a Malha Oeste seja efetivamente recuperada e integrada ao novo corredor internacional.

Caso contrário, a ferrovia poderá continuar dependente das cargas tradicionais de minério e celulose, limitando seu potencial econômico no novo cenário logístico sul-americano. 


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