O mercado financeiro reagiu com forte nervosismo à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (26). O dólar disparou e a Bolsa brasileira teve a negociação interrompida depois de uma queda de 10%, o chamado circuit breaker, acionado pela primeira vez desde 2020.
A cotação oficial do dólar divulgada pelo Banco Central, a Ptax, fechou em R$ 5,50, contra R$ 5,04 na sexta-feira, uma alta de 9,2%. Na abertura, a moeda chegou a R$ 5,61. O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 10% e teve as negociações suspensas por 30 minutos; ao longo do dia, a queda chegou perto de 15%. Analistas atribuem a reação à preocupação com as contas públicas no novo mandato, já que parte do mercado apostava em outra condução da política fiscal.
Os números são do dia e o mercado segue oscilando. O efeito para a economia real depende de quanto tempo o dólar fica nesse patamar.
Para quem vende para fora, o dólar mais alto significa mais reais por cada venda. Uma exportação de US$ 1.000 rendia R$ 5.038 na sexta; com a cotação desta segunda, rende R$ 5.501, R$ 463 a mais.
Isso pesa em Mato Grosso do Sul. Segundo a Semadesc, com dados do Comex Stat, o estado exportou US$ 7,2 bilhões de janeiro a julho de 2026. Soja, celulose e carne bovina responderam por 77% desse valor. Produtores com grãos para vender, frigoríficos e fábricas de celulose, que faturam em dólar, estão entre os primeiros a sentir o efeito positivo.
O outro lado está nos custos. Fertilizantes, defensivos e boa parte das máquinas agrícolas têm preço atrelado ao dólar. O combustível, com referência internacional, também pressiona o custo do frete. Quem ainda não comprou os insumos da safra 2026/27 tende a pagar mais; quem já travou preços sai na frente.
Produtos importados e eletrônicos costumam acompanhar o dólar. Trigo e petróleo, cotados em dólar, podem chegar ao preço do pão, das massas e dos combustíveis se a alta persistir. Na fronteira, as compras no Paraguai ficam mais caras: as lojas de Pedro Juan Caballero e de Salto del Guairá cobram em dólar, e a mesma compra passou a custar cerca de 9% mais em reais.
Há ainda um efeito indireto. O dólar alto pressiona a inflação, o que dificulta a redução dos juros e encarece o crédito para famílias e empresas.
Para o produtor, o momento pode ser de avaliar a venda de parte da produção ou a trava do câmbio para vendas futuras, além de planejar a compra de insumos. Para o empresário, a recomendação é revisar os custos ligados ao dólar e evitar decisões grandes no calor do dia, porque o câmbio pode voltar. Para o consumidor, se possível, vale adiar compras de importados e viagens ao exterior e evitar dívidas com juros variáveis.
As orientações são gerais e não substituem a análise de um especialista ou recomendação de investimento.