De mais de 1.200 filmes inscritos, apenas 61 vão passar na tela do Festival Curta Campo Grande em sua terceira edição, marcada para os dias 26 a 31 de outubro de 2026. A seleção, divulgada pela organização do evento, reúne produções de 16 estados brasileiros e de países como Chile, Colômbia, Cuba, Argentina, Grécia e Angola, além de uma coprodução Brasil-Alemanha — um salto de escala que confirma o festival como ponto de encontro internacional dentro da programação cultural de Campo Grande.
O recorte chama atenção justamente pelo volume: nunca o festival recebeu tantas inscrições em suas três edições, segundo a organização. O crescimento é lido pelo comitê de seleção como reflexo direto de políticas de fomento ao audiovisual que ampliaram o acesso de produtores de regiões historicamente fora do circuito, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Entre as 61 obras selecionadas, sete são de Mato Grosso do Sul, distribuídas na mostra competitiva Curta MS. Desse grupo, quatro são documentários e seis vão estrear internacionalmente durante o evento: Candomblé por elas (Elis Regina Cardeal Nogueira), Coragem (Pedro Alvarenga), Kaguateka (Gleycielli Nonato Guató), Viva a capoeira – A história do mestre Guerreiro (Thiago Rotta e Rafael Rotta), Amoitado (Tero Queiroz e Aly Freitas) e Khaos – Sobrevivendo na Escola (Aniela Paes). Apenas Mapago, de Marcus Teles, já havia passado por outros festivais antes de chegar a Campo Grande.
"O Mato Grosso do Sul vem se destacando e cada vez mais vem sendo representado por profissionais daqui do estado com um nível que não deixa a desejar", avalia Sol Bouffay, integrante do comitê de seleção junto com Ricardo Cota e Vivi Pistache — todos com passagem por festivais como Kinoforum, Aruanda, Mix Brasil e Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Das 61 obras, 36 estão nas mostras competitivas — 16 na Curta Brasil, 7 na Curta MS, 6 na Curta Doc e 7 no Panorama Internacional — e as outras 25 nas mostras paralelas Sessão Livre, Mostrinha e Sessões Especiais, pensadas para ampliar o público por faixa de idade e interesse. Ao todo, 30 dos filmes escolhidos têm direção feminina, e a lista inclui recortes indígenas, negros e LGBTQIA+.
Para Ricardo Cota, também do comitê, o peso das inscrições fora do eixo Sudeste-Sul tem explicação concreta: "Isso reflete muito a ação e o alcance das políticas públicas, tanto da Lei Paulo Gustavo, que foi extremamente importante, como da Lei Aldir Blanc", afirma. Segundo ele, o festival cumpre um papel de descentralização ao dar vitrine a produções do Centro-Oeste, Norte e Nordeste — territórios que, segundo o comitê, vinham crescendo em qualidade a cada edição.
O diretor geral do festival, Dannon Lacerda, diz que a expansão do número de inscritos e de obras selecionadas confirma a consolidação do evento no calendário nacional de cinema: "Nosso propósito é valorizar a produção local e, ao mesmo tempo, proporcionar ao público o acesso a filmes que raramente chegam às salas de cinema ou às plataformas de streaming", afirma. A programação completa de atividades paralelas ainda será anunciada pela organização nas próximas semanas.
Fontes: FESTIVAL CURTA CAMPO GRANDE; CORREIO DE CORUMBÁ