MS projeta recorde de 16,25 mi de t de milho com 94,9% colhido

Três Lagoas lidera com 174 sacas por hectare; região Norte do estado já encerrou praticamente toda a colheita, mas ventos fortes ainda preocupam quem tem lavoura em campo.

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MS projeta recorde de 16,25 mi de t de milho com 94,9% colhido
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Mato Grosso do Sul está a menos de dois meses de encerrar uma das melhores safras de milho safrinha de sua história. Levantamento do Projeto SIGA-MS, conduzido pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, registrou que 94,9% da área acompanhada já foi colhida até 4 de setembro de 2026 — o equivalente a 2,09 milhões de hectares. Com esse ritmo, a produção estadual está projetada em 16,254 milhões de toneladas, um crescimento de 16,7% frente à safra 2024/2025.

O número impressiona sobretudo porque representa uma revisão para cima em relação à estimativa inicial: no começo da safra, a produtividade média esperada era de 84,16 sacas por hectare. Os dados mais recentes mostram potencial entre 40 e 192 sacas por hectare, dependendo do município — uma amplitude que revela tanto os sucessos do manejo quanto as diferenças climáticas que marcaram o ciclo em diferentes pontos do estado.

Três Lagoas puxa o desempenho estadual com 174 sacas por hectare

Entre os municípios avaliados, Três Lagoas registrou a maior produtividade: 174,3 sacas por hectare. Logo atrás estão Alcinópolis, com 167,8 sacas/ha; Camapuã, com 165,3; e Rio Negro, com 162 sacas/ha. Os quatro municípios ficam na faixa norte e centro-norte do estado, mesma faixa que lidera o avanço da colheita: a região Norte já colheu 99,7% da área, seguida pelo Sul (94,5%) e pelo Centro (93,8%).

Para Lucas Santana, analista técnico da Aprosoja/MS, o resultado reflete uma combinação de fatores que não se repetem em toda parte. "Os resultados observados até o momento mostram que uma parcela significativa das lavouras conseguiu expressar um bom potencial produtivo. O acompanhamento de campo tem identificado áreas com elevado rendimento, resultado de um conjunto de fatores que envolve o estabelecimento adequado da cultura, o manejo realizado ao longo do ciclo e as condições climáticas encontradas nas diferentes regiões", afirmou o técnico. A variação entre municípios — de 40 a 192 sacas — deixa claro que o cenário estadual positivo convive com lavouras em situação mais difícil, especialmente onde as chuvas foram menos regulares ou o plantio atrasou.

Também vale lembrar que os dados ainda são preliminares: foram realizadas 354 avaliações, cobrindo cerca de 18% da área cultivada total de 2,206 milhões de hectares. A consolidação definitiva depende da ampliação da amostragem e da conclusão do estudo de uso e ocupação do solo — o que significa que a projeção de 16,25 milhões de toneladas pode ser ajustada para cima ou para baixo nas próximas semanas. Você pode acompanhar a evolução desse número comparando com o que o MSConecta registrou quando a colheita estava em apenas 37,3% da área.

Ventos fortes são o principal risco para quem ainda está em campo

Com quase 5% da área ainda aguardando a colheitadeira, o alerta dos técnicos se volta para as condições climáticas dos próximos dias. Na primeira semana de setembro, chuvas entre 5 e 55 milímetros foram registradas em diferentes pontos do estado — precipitações que ajudaram a manter a umidade do solo e a preparar a terra para a próxima safra, mas que também aumentam a atenção com rajadas de vento.

"Nas áreas que ainda estão em campo, o produtor precisa manter atenção principalmente às condições climáticas e ao ponto de colheita. O risco de vendavais exige cuidado, porque pode provocar acamamento e quebramento de plantas, dificultando a operação e podendo gerar perdas. Por isso, o acompanhamento da lavoura até a retirada do milho é fundamental", orientou Lucas Santana. Na região Oeste, onde o desempenho é mais heterogêneo, 88% das áreas avaliadas foram classificadas como boas, 10% em condição regular e 2% em condição ruim — números que mostram que, mesmo no cenário favorável do estado, há lavouras que precisam de atenção redobrada até o fim da operação.

O otimismo com a safra 2025/2026 também chega em momento relevante para o mercado: o milho atingiu a maior cotação em três anos, o que torna cada saca preservada no campo ainda mais valiosa para o produtor sul-mato-grossense.

Fontes: APROSOJA/MS; SIGA-MS; REGIÃO NEWS


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