Milho atinge maior cotação em três anos e soja chega a R$ 160 por saca

Mercado agrícola encerra agosto em alta, impulsionado por demanda global, exportações e oferta mais restrita

Por

O agronegócio brasileiro fechou a última semana de agosto em forte valorização, com destaque para o milho e a soja. Enquanto o cereal alcançou seu maior patamar internacional desde 2023, a oleaginosa chegou a ser negociada a R$ 160 por saca nos portos brasileiros, reforçando o cenário favorável para produtores de Mato Grosso do Sul e de outras regiões do país. 

A soja foi beneficiada pela combinação de alta em Chicago, dólar valorizado e forte demanda internacional. No dia 26 de agosto, a commodity alcançou a marca de R$ 160 por saca nos portos, sustentada pelo vigor das exportações brasileiras e pela disputa por grãos disponíveis no mercado interno. Mesmo com oscilações posteriores, os preços permanecem em níveis historicamente elevados. 

Segundo análises de mercado, a valorização da soja em 2026 vai além do fator cambial. Apesar da recente alta do dólar, boa parte do avanço dos preços ocorreu devido aos fundamentos do mercado, especialmente a forte procura internacional e a oferta mais limitada disponível para comercialização. 

Milho lidera movimento de alta

O milho foi o principal destaque da semana. Na Bolsa de Chicago, o contrato atingiu US$ 5,14 por bushel, o maior valor registrado desde julho de 2023. Mesmo após ajustes técnicos, o mercado encerrou o período próximo de US$ 5,10, nível significativamente superior ao observado uma semana antes. 

A valorização é atribuída às preocupações com os estoques globais e ao cenário internacional de oferta mais apertada. No Brasil, os preços também reagiram positivamente, com negociações entre R$ 46 e R$ 66 por saca em diversas regiões e indicações próximas de R$ 71 nos portos.

Ao mesmo tempo, a colheita da segunda safra segue ligeiramente atrasada em comparação à média histórica, adicionando suporte às cotações. 

Boi gordo continua sustentado

Na pecuária, a oferta reduzida de animais prontos para o abate continua sustentando as cotações. Levantamento de mercado indicou o boi gordo comum em torno de R$ 347 por arroba e o chamado boi-China próximo de R$ 350 por arroba em São Paulo. 

Mesmo diante de uma demanda doméstica mais moderada e de sinais de desaceleração nas exportações em agosto, os frigoríficos encontram dificuldades para ampliar escalas de abate, o que ajuda a manter os preços firmes. 

Reflexos para Mato Grosso do Sul

Para Mato Grosso do Sul, um dos principais estados produtores de soja, milho e carne bovina do país, o cenário continua positivo. A valorização das commodities ocorre em um momento em que o dólar permanece próximo de R$ 5,20, ampliando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. 

Com exportações fortes, demanda global aquecida e preços elevados nas principais cadeias do agronegócio, produtores sul-mato-grossenses iniciam setembro com perspectivas favoráveis para a comercialização da safra e para os investimentos na próxima temporada. 


Notícias Relacionadas »