O Festival de Inverno de Bonito (FIB) abre nesta quarta-feira (26) com uma estrutura de acessibilidade que vai além de rampas e banheiros adaptados: três intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) estarão presentes em shows, espetáculos de dança, circo, teatro e atividades do Lounge Geek/Literário durante os cinco dias de evento, que segue até domingo (30) com entrada gratuita em Bonito, no Pantanal sul-mato-grossense.
O festival é realizado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura, em parceria com a Prefeitura de Bonito. A edição deste ano aprofunda uma política que a organização vem construindo desde 2022 — quando a interpretação em Libras foi introduzida no evento — e acrescenta uma novidade: uma oficina de artes visuais com acessibilidade, desenvolvida junto à Pestalozzi de Bonito, que coloca pessoas com deficiência não apenas como público, mas como participantes do processo criativo.
Para Felipe Sampaio, consultor em acessibilidade da Fundação de Cultura de MS, a presença de intérpretes e áreas reservadas nos palcos não é concessão — é obrigação legal. "Quando falamos em atendimento inclusivo em eventos culturais, estamos falando também sobre o direito das pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida e pessoas idosas de participarem plenamente da vida cultural, algo que já é previsto tanto na Lei Brasileira de Inclusão quanto na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência", afirma.
Segundo Sampaio, a resposta do público surdo e com deficiência tem crescido a cada edição. "A cada edição, percebemos um retorno cada vez mais positivo. As ações de acessibilidade vêm ganhando força, com a ampliação da presença da Libras em diferentes atividades do evento", diz. A meta declarada da equipe é que a acessibilidade alcance todos os formatos de programação — dos grandes shows às rodas de conversa e exposições de artes visuais —, ampliando o sentimento de pertencimento da comunidade surda ao festival.
A abertura desta quarta-feira terá atividades no Palco Sol, na Praça da Liberdade, e atrações no Palco Lua, todas com suporte de Libras. Na quinta (27), o destaque é o show nacional de Ferrugem, precedido pelo espetáculo de dança Cor(po)ético, da Cia Funk-se, e pela apresentação de ballroom da House of Goldens.
Na sexta (28), é a vez de Leo Foguete fechar a noite, com a programação diurna incluindo a vivência criativa Capivaras de Pelúcia e a roda de conversa Quem são nossas celebridades? no Lounge Geek/Literário. O sábado (29) traz o show de Seu Jorge como atração nacional, ao lado dos espetáculos Caminhos do Tango e Encontro de Tribos. O encerramento, no domingo (30), fica com a dupla Humberto e Ronaldo.
Bonito já é reconhecida internacionalmente pelo ecoturismo de base regulada — o modelo de agendamento único por atrativo é referência mundial. Trazer esse mesmo rigor organizacional para a acessibilidade cultural reforça a posição da cidade como destino que dialoga com públicos diversos, incluindo turistas com deficiência que chegam de outras regiões do Brasil e do exterior durante o inverno, uma das temporadas de maior movimento no município.
A inclusão da Pestalozzi de Bonito como parceira da oficina de artes visuais é um sinal de que o festival começa a integrar a rede local de atendimento à pessoa com deficiência — e não apenas trazer recursos externos ao evento. Para os moradores de Bonito e visitantes que chegam ao Pantanal nesta semana, o FIB 2025 oferece, pela primeira vez, um espaço em que participar ativamente da programação cultural não depende de barreiras de comunicação.
Fontes: FUNDAÇÃO DE CULTURA DE MATO GROSSO DO SUL, PREFEITURA DE BONITO