Os eleitores de Rio Verde de Mato Grosso só irão às urnas para decidir se a cidade passa a se chamar Rio Verde do Pantanal em 2028 — no mesmo dia em que votarem para prefeito e vereadores. O plebiscito já foi formalmente autorizado pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o desembargador Carlos Eduardo Contar, que confirmou a decisão na manhã desta sexta-feira (21).
A confirmação encerra a expectativa de parte dos envolvidos no processo de que a consulta pudesse ocorrer ainda nas eleições gerais de outubro de 2026. A legislação eleitoral, com base em orientação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determina que plebiscitos sejam realizados de forma concomitante às eleições ordinárias seguintes ao ato de convocação — e, no caso de municípios, isso significa o primeiro turno das eleições municipais.
"Já determinei, já autorizei para o pleito de 2028. Será concomitante à eleição do prefeito e dos vereadores daquele município", disse Carlos Eduardo Contar, desembargador e presidente do TRE-MS. A declaração dá concretude ao processo, que havia passado por reunião no próprio TSE em Brasília, em novembro de 2025, com representantes do tribunal estadual, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, do município e outras autoridades discutindo os procedimentos necessários para viabilizar a consulta.
Enquanto a data não chega, o Projeto de Lei nº 152/2025 — que propõe oficialmente a troca de denominação — segue em tramitação na Assembleia Legislativa. A proposta é de autoria da Mesa Diretora da Casa, com coautoria de deputados estaduais, e não poderá ser concluída sem o aval popular exigido pelo próprio texto da justificativa.
A iniciativa nasceu no próprio município. O prefeito Réus Antonio Sabedotti Fornari encaminhou o pleito à Câmara de Vereadores, que aprovou o encaminhamento. O argumento central é aproximar o nome da cidade de sua identidade geográfica e cultural: Rio Verde de Mato Grosso está inserida no bioma Pantanal, e a inclusão do nome do bioma na denominação oficial é vista como uma forma de reforçar esse pertencimento — inclusive para fins turísticos.
Há ainda um componente prático por trás da proposta: a confusão recorrente com outros municípios do Centro-Oeste de nomenclatura parecida, especialmente Rio Verde, em Goiás, e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Moradores e autoridades locais relatam que a similaridade dos nomes gera problemas em documentos, correspondências e sistemas de logística. O novo nome resolveria essa ambiguidade de forma definitiva.
Caso a maioria dos eleitores de Rio Verde de Mato Grosso vote a favor da mudança em 2028, o processo legislativo na Assembleia poderá avançar para formalizar o novo nome em lei estadual. A alteração precisaria ainda ser registrada nos órgãos federais competentes. Se a população rejeitar a proposta, a cidade mantém sua denominação atual e o projeto perde o respaldo popular necessário para seguir adiante.
Com população estimada em pouco mais de 19 mil habitantes, Rio Verde de Mato Grosso está localizada na região do Pantanal sul-mato-grossense, a cerca de 295 quilômetros de Campo Grande. A decisão de 2028 será, portanto, local — mas o debate em torno do Pantanal como marca identitária e de atração turística tem repercussão para todo o estado, especialmente num momento em que o bioma ocupa o centro das discussões sobre preservação ambiental e desenvolvimento regional sustentável em Mato Grosso do Sul.
Fontes: TRE-MS, ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MATO GROSSO DO SUL