Nesta segunda-feira (24 de agosto de 2026), Mato Grosso do Sul acorda sob alerta máximo: a umidade relativa do ar pode despencar a 10% nas horas mais quentes do dia em diversas regiões do estado, colocando cidades inteiras no patamar oficial de emergência definido pela Defesa Civil e pelo Inmet. Ao mesmo tempo, os termômetros sobem com força — Coxim, no norte do estado, pode marcar 37°C à tarde, enquanto ventos com rajadas acima de 50 km/h varreram a vegetação já ressequida do Pantanal e das pastagens do interior.
O cenário é resultado do enfraquecimento da massa de ar frio e seco que varreu o estado nos últimos dias. Com a barreira de ar mais fresco recuando, o calor avança especialmente sobre o norte e a região pantaneira, e a combinação entre temperatura elevada, vento forte e vegetação seca cria condições clássicas de propagação rápida de incêndios — exatamente o tipo de situação que preocupa brigadistas e autoridades de proteção civil a cada agosto.
A classificação oficial usada pela Defesa Civil divide o risco em três faixas: abaixo de 30%, estado de atenção; abaixo de 20%, alerta; e abaixo de 12%, emergência. Com a previsão de 10% para regiões do interior nesta segunda, MS ultrapassa o patamar mais grave da escala — ou seja, uma condição em que qualquer faísca em área aberta pode se transformar em incêndio de grandes proporções em minutos. As autoridades recomendam suspender imediatamente qualquer uso de fogo em áreas rurais e redobrar atenção nas bordas do Pantanal e nas propriedades com pastagens secas.
Em Campo Grande, a situação é menos extrema, mas ainda preocupante. A capital iniciou o dia com 16°C e deve chegar a 32°C à tarde, com umidade oscilando entre 15% e 70% ao longo do dia — ou seja, nas horas de pico de calor, a capital também entrará na faixa de alerta. Já no sul e no cone-sul, o frio residual ainda amortece as máximas: Dourados e Iguatemi tiveram mínima de 13°C e devem atingir 27°C e 25°C, respectivamente. Ponta Porã também fica nos 25°C.
Além dos 37°C esperados em Coxim, a região norte e o Pantanal reúnem as temperaturas mais altas do dia. Corumbá e Camapuã devem chegar a 36°C; Paranaíba a 34°C; Três Lagoas e Aquidauana a 32°C. Porto Murtinho deve variar entre 16°C e 29°C. São exatamente essas regiões — norte do estado, bacia do Pantanal e áreas de Cerrado — onde a vegetação está mais vulnerável e onde os focos de incêndio historicamente se multiplicam durante a estiagem de agosto.
Os ventos do quadrante sul, com rajadas previstas acima de 50 km/h, agravam o risco ao alimentar possíveis chamas e dificultar o trabalho de combate. No Pantanal, que já acumula extensas áreas queimadas em anos anteriores, a baixa umidade combinada ao vento representa um dos cenários mais perigosos para a biodiversidade e para as comunidades ribeirinhas da planície alagável.
A orientação das autoridades é direta: nenhuma queimada deve ser realizada em área aberta enquanto perdurar a combinação de umidade abaixo de 12% e ventos fortes. Quem mora ou trabalha no campo deve manter aceiros limpos, checar a condição de motores e equipamentos que possam produzir faíscas, e ter à mão contato com o Corpo de Bombeiros pelo número 193. Para a população urbana, a baixa umidade exige atenção à hidratação — beber água com frequência, mesmo sem sentir sede, é essencial em dias com índices abaixo de 20%. Grupos de risco — idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias — devem evitar exposição ao sol nos horários de pico, entre 11h e 15h.
A previsão para os próximos dias aponta manutenção do tempo seco e quente, sem perspectiva imediata de chuva significativa para a maior parte do estado. O mês de agosto segue como o período mais crítico da estiagem sul-mato-grossense, e 2026 não promete ser diferente dos anos que combinaram recordes de temperatura com focos de incêndio nas bordas do Pantanal e do Cerrado. A vigilância precisa ser máxima.
Fontes: DEFESA CIVIL DE MS, INMET